“Guerra” entre estudantes e policiais no campus da UFSC: A atualidade da questão das drogas.

28/03/2014 17:24

Foto: Helio Rodak De Quadros Junior – Fonte G1 

 

No dia 25 de março (3ª feira), a Polícia Federal deteve um jovem no campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. Segundo informações da própria Instituição, os policiais flagraram um grupo de jovens fumando maconha e um deles foi detido.  

Cerca de 300 alunos que passavam pelo local e perceberam a situação, se solidarizaram com o colega e cercaram o carro da Polícia Federal tentando impedir sua saída. A tropa de choque foi chamada e atacou de forma truculenta, usando balas de borracha e bombas de efeito moral para “enfrentar” estudantes que usavam livros, cadernos e canetas. Os estudantes deixaram seus materiais e reagiram virando duas viaturas da polícia.

Este lamentável episódio, nos traz uma velha reflexão sobre a delicada questão das drogas.

Não é nenhuma novidade, vermos jovens serem tratados como criminosos por fazerem uso de drogas. Inclusive, a forma da polícia abordar - na maioria das vezes jovens pobres e negros - está na pauta de várias discussões sobre a questão da descriminalização da maconha. O certo e que a falta de uma política pública de recuperação de dependentes e usuários não justifica que o estado os trate como criminosos.

A dependência química e suas consequências físicas e sociais são claras e ao mesmo tempo complexas.  Mais complexo ainda, é a questão do tráfico internacional de drogas, que movimenta um volume financeiro gigantesco. Será que o tratamento dado a usuários deve ser o mesmo para traficantes? A repressão deve ser para todos sem distinção?

Nossas cadeias estão por demais cheias. Para termos uma ideia, segundo Luiz Flávio Gomes (1) entre 1990 e 2012, a população carcerária teve um aumento de 508%. Não precisa ser um gênio para perceber que tem algo errado.

A criminalização do uso de drogas só faz aumentar o índice acima. Não ajuda o dependente a se curar e nem diminui o tráfico, que muitas vezes é dirigido de dentro dos próprios presídios. O estado burguês, na ânsia de desenvolvimento do lucro e da acumulação de riquezas, desenvolve suas “doenças” e como não consegue curá-las, simplesmente as trata como crime, marginalizando todos aqueles que se “contagiaram”.

A juventude não quer e não precisa das cadeias do capitalismo. Para que a juventude tenha força e vontade de mudar essa sociedade, para uma sociedade justa e igualitária, ela precisa de Educação, Saúde, Lazer e Arte. Bem estar social, um papel do qual o Estado Burguês de exime cada dia mais para atender às demandas econômicas da burguesia.

Precisamos que o estado assuma a dependência química como um caso urgente a ser tratado pela Saúde Pública e não mais como um artigo do Código Penal, que justifique a criminalização de qualquer pessoa que seja dependente ou simplesmente usuário.

 

Por uma Educação Pública, de Qualidade, Gratuita e para todos!

 

Pelo direito de acesso ao Lazer, ao Esporte e à Arte!

 

Pela descriminalização do uso de drogas!

 

Por uma sociedade justa e igualitária, uma sociedade socialista!

 

 

(1)   Mestre pela Faculdade de Direito da USP e doutor pela Faculdade de Direito da Universidade Complutense de Madri