A luta de classes e a situação no Brasil e no mundo.

28/12/2015 20:07

A crise do imperialismo

O imperialismo não consegue resolver sua crise. Vemos toda a Europa envolvida em uma crise econômica sem saída que ataca a classe trabalhadora cada vez mais com as medidas de austeridade impostas pela União Européia e executadas por governos capachos. Nesse cenário, Grécia, Portugal e Espanha são os casos mais evidentes.

Na América do Norte, os EUA vivem uma recessão que se arrasta há anos. Em 2014, com 64 mil moradores nas ruas, temos o recorde de desabrigados desde a Grande Depressão. Segundo as estatísticas federais, a população de rua aumentou 13% em relação ao ano de 2013, apesar de uma suposta recuperação da economia.

A saída para o imperialismo, mais uma vez está nas guerras e em uma redivisão geográfica do mundo de acordo com os interesses de posições geográficas estratégicas e de riquezas naturais. Como sabemos, isso já vem sendo feito há algum tempo, com a desculpa esfarrapada de combate ao terrorismo. As ações desses grupos terroristas provocam a reação e justificam para a sociedade a necessidade da guerra ao terror. Com isso, as grandes potências imperialistas se unem em uma frente para bombardear, arrasar e dominar regiões estratégicas. É a barbárie!

América Latina

Na América Latina tivemos um período de ascensão de governos populistas e bolivarianistas, como Lula, Kirchner, Rafael Correa, Evo Morales, Hugo Chavez, e Fernando Lugo. Governos que tentaram administrar o estado capitalista tentando agradar a classe trabalhadora com as migalhas que sobravam dos banquetes da burguesia e sofrem agora um duro ataque da direita que começa a retomada desses aparelhos de estado.

O primeiro a cair foi Lugo, no Paraguai, com um golpe rápido, arquitetado no Legislativo e no Judiciário. Na Argentina, com o desgaste de Cristina Kirchner, seu candidato Daniel Sciolli, foi derrotado no 2º turno, pelo candidato da direita, Maurício Macri. Na Venezuela, o sucessor de Chavez, Nícolas Maduro, em uma queda desenfreada, enfrenta uma crise econômica e política forjada por boicotes de empresários e provavelmente não conseguirá obter a maioria das cadeiras no Legislativo nas próximas eleições. No Brasil, a situação também não é nada boa para a presidente Dilma (PT). Desde sua reeleição está instalada uma crise política e econômica no país.

Para nós, tudo isso está bem claro, essas lideranças optaram por um governo de pequenas reformas e não avançaram no processo de mobilização do povo, conduzindo a uma revolução. A direita, que nunca se afastou verdadeiramente do poder, acaba se reorganizando e exigindo novamente o comando do aparato estatal. Para isso, ela se utiliza tanto do processo “democrático” burguês, quanto de golpes como o que afastou Lugo do poder e que agora ataca Dilma.

Brasil

Desde o início do governo do PT em 2003, Lula anunciou que governaria para “todos” os brasileiros e não só para os trabalhadores, era um governo de composição com a burguesia e teria que atender aos seus interesses também. Esse governo, em seus dois mandatos foi paulatinamente atendendo aos interesses dessa burguesia, enquanto se recusava a atender às reivindicações da pauta da classe trabalhadora, desaguando em um fraco reformismo social.

Com a eleição de Dilma, a situação foi piorando, uma vez que ela não possui qualquer vínculo com a classe trabalhadora e muito menos o carisma de Lula. Os escândalos de corrupção cada vez mais frequentes e de dimensões astronômicas minaram seu governo, terminando o mandato com um dos menores índices de aprovação da história.

Mesmo assim Dilma foi reeleita. O medo de mudanças nos planos de assistência social, como o bolsa família, e a privatização de mais estatais, como a Petrobras, fez com que a maioria dos eleitores continuassem a votar em Dilma. Numa vitória apertada e tumultuada, o PT conseguiu se firmar no governo. O que se viu após a reeleição foi mais crise e o aprofundamento da guinada à direita com mais concessões (nome diferente para privatização), mais dinheiro para banqueiros e latifundiários, mais demissões e mais escândalos de corrupção. Toda a política da direita, que outrora era combatida pelo PT, foi posta em prática através da necessidade da famigerada austeridade.

Com uma crise política instalada, nas ruas e no Congresso, Dilma, novamente, vira as costas à classe trabalhadora e procura alianças espúrias no Congresso, fazendo acordo até mesmo com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), que foi quem mais atacou o governo na Câmara e, além disso, está sendo acusado de corrupção e pode ser afastado da presidência da Câmara a qualquer momento.

Depois de muitos erros políticos, Dilma vê o pedido de impeachment sendo oficializado pelo PSDB e aceito pelo presidente da Câmara, seu ex-aliado, Eduardo Cunha.

Os petistas, juntamente com o PCdoB, PCO, CUT, CTB, MST, MTST, UNE e outras entidades, reagem imediatamente e vão às ruas contra o golpe.

Que golpe é esse?

Para nós, da Liga Socialista, o golpe contra a classe trabalhadora brasileira nasceu há 13 anos atrás, quando o PT decidiu fazer aliança com partidos burgueses para ganhar as eleições para presidente. A partir daí fica claro que apesar do PT ser um partido operário, ele governaria para a burguesia. Como consequência, esse governo de composição vai cada vez mais à direita a cada ano que passa. É a continuidade das privatizações, do desvio de verbas públicas para o setor privado, do sucateamento dos serviços públicos, do pagamento da dívida pública, dos ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários e do não atendimento às reivindicações da classe trabalhadora do campo e das cidades.

Além disso, outros ataques reacionários são desferidos contra a classe trabalhadora, como por exemplo, a redução da maioridade penal (PEC 171/93), o PL 5069/2013 que impede no atendimento a orientação sobre os direitos, inclusive do aborto, para as mulheres vítimas de estupro, o PL 2016/2015, conhecido como Projeto de Lei antiterrorismo, que criminaliza os movimentos sociais e seus militantes como terroristas, além dos diversos ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários.

Mas, grande parte da classe trabalhadora, apesar de ver e sentir na pele os ataques do governo, não admite um golpe da direita e atende ao chamado das direções governistas de suas entidades e vai às ruas contra o impeachment.

O que fazer?

Entendemos que não podemos ficar fora dessa luta, assistindo “de camarote” como meros expectadores, ou, como comentaristas da luta de classes. Muito menos, podemos fazer coro com a oposição burguesa, fortalecendo o Fora Dilma. A vitória da burguesia significa a completa reorganização desse setor ultra-reacionário que destila ódio contra negros, pobres, nordestinos, homossexuais, socialistas, comunistas, enfim, toda a classe operária.

Nós, trabalhadores, temos que estar preparados para permanecer nas ruas, em defesa dos nossos direitos, do nosso emprego, dos salários e das liberdades democráticas, empurrando nossas lideranças para convocar uma greve geral para enfrentar nas ruas os ataques que estão por vir e reverter os ataques já desferidos pelo governo Dilma.

Essa frente de luta dá à classe trabalhadora a possibilidade da construção de um novo campo político, uma oposição de esquerda, com uma perspectiva revolucionária. Somente assim, com uma perspectiva revolucionária, teremos a garantia de que esse novo campo político não termine adaptado ao capitalismo, como aconteceu com o próprio PT.

  • Contra o golpe da direita. Somos contra o impeachment!
  • Contra os cortes de verbas para os serviços públicos!
  • Contra o pagamento da dívida pública!
  • Pela taxação das grandes fortunas!
  • Reforma agrária sem indenização e sob controle dos trabalhadores sem terra!
  • Por uma Petrobras 100% estatal e sob o controle dos trabalhadores petroleiros. Contra o desinvestimento da Petrobras.
  • Revogação das Medidas Provisórias e Leis do governo Dilma que atacaram direitos dos trabalhadores, dos povos indígenas e das comunidades quilombolas.
  • Contra o Projeto de Lei antiterrorismo, que criminaliza os movimentos sociais e seus militantes como terroristas.
  • Por uma frente de luta para enfrentar todos os ataques desferidos pelo governo e empresários!
  • Construção do partido revolucionário da classe trabalhadora!
  • Por uma sociedade justa, igualitária e democrática. Uma sociedade socialista!