Após 10 anos de governo do PT, a Reforma Agrária ainda é um grito preso na garganta!

29/09/2013 18:07

Após 10 anos de governo petista, continuamos com os acampamentos de barracas de lona preta ao longo das rodovias e com ocupações que são frequentemente reprimidas pela polícia do estado burguês. A direção do MST, tornou-se apática a situação, esperando todo esse tempo por uma decisão do governo que atendesse ao movimento. A verdade é que a cada ano que passa, cada vez mais o governo recua em relação a reforma agrária e atende com grandes recursos financeiros ao agronegócio.

Para termos uma ideia da situação, em 2008 foram realizadas 243 desapropriações. Em 2012 esse número caiu vertiginosamente para apenas 28. No estado do Paraná, o último decreto de desapropriação ocorreu em 2008.

Segundo Célio Rodrigues, um dos líderes do MST, em Ponta Grossa, “o governo preferiu apoiar o agronegócio”. O padre Dirceu Luiz Fumagalli, da Comissão Pastoral da Terra, também vai na mesma linha, “Na planície se planta soja e nos morros se planta eucalipto. O campo é um espaço de exploração para gerar lucros”.

Atualmente, no Brasil, existem cerca de 156 mil famílias acampadas e, nos últimos cinco anos, caiu o número de desapropriações e de famílias assentadas.

Vejam os números no quadro abaixo, segundo fonte do próprio INCRA.

 

Ano Área em milhares de ha número de desapropriações Famílias assentadas (em milhares)
2008 4,1 243 50,2
2009 4,6 183 55,5
2010 1,9 158 39,5
2011 1,9 58 22,0
2012 0,3 28 23,1

 

Segundo João Pedro Stedile, da Direção Nacional do MST, “O Governo Dilma continua refém de suas alianças conservadoras. Continua refém da falta de debate sobre projeto para o país. Continua refém de desvios tecnocráticos, como se assentamento de sem-terra fosse apenas problema de orçamento publico. Continua refém de sua pequenez.”

O próprio Stedile , também identifica  que “As elites cederam parte do poder executivo, mas mantém controle quase absoluto do poder judiciário, do legislativo, das polícias e sobretudo mantém a hegemonia ideológica através do controle da mídia. Há uma ofensiva do grande capital sobre o processo produtivo da agricultura, resultado de uma aliança entre os fazendeiros e as empresas transnacionais que produziram o agronegócio. Esse modelo está dando certo para essa minoria de capitalistas, dá lucro, aumenta a produção, e com isso aumentaram os preços e a renda da terra”.

Apesar de Stedile saber onde está o problema, ele não aponta o caminho da luta , ou melhor, não reconduz a luta que o MST travou durante mais de 20 anos pela reforma agrária. Ao terminar o texto com a seguinte frase: “Por sorte, a história não para, e algum dia o povo voltará a se mobilizar...” deixa claro que não há disposição de fazer enfrentamento com o atual governo, deixando a situação dos integrantes do MST a própria sorte, ou melhor, a espera de um movimento espontâneo,  fugindo totalmente do seu papel de liderança de um movimento, deixando claro a enorme crise de direção do MST.

Os trabalhadores rurais sem-terra, precisam se organizar para uma verdadeira revolução agrária, com ocupação em massa e expropriação das terras dos capitalistas do agronegócio e da aristocracia rural, sem indenização.

A única saída para a classe trabalhadora está na construção de um partido revolucionário, que ajude aos trabalhadores do campo e das cidades a construírem um processo revolucionário que destrua o estado burguês e sobre seus escombros construa uma sociedade socialista. Só assim, conseguiremos ter um estado socialista, capaz de promover a revolução agrária e atender as reivindicações da classe trabalhadora, expropriando o capital e eliminando a miséria.

  •   Ocupação de todas as terras improdutivas!
  •   Ocupação de todas as terras do agronegócio!
  •   Assentamento de todas as famílias acampadas!
  •   Revolução Agrária, sob o controle dos trabalhadores rurais sem-terra!