Ataques na Colônia desencadeiam reação racista

25/01/2016 19:05

Na véspera de Ano Novo, em Colônia, centenas de mulheres foram intimidadas e ameaçadas. Pelo menos duas violações foram relatadas. Existem hoje mais de cem assaltos relatados, muitas vezes incluindo o assédio sexual e roubo nas mãos dos chamados "waltzers", isto é, homens que molestam as mulheres na pretensão de querer dançar, enquanto seus cúmplices as roubam. Relatórios de processos de outras cidades, 53 em Hamburgo, mostram que a violência sexual não era de forma alguma apenas um fenômeno "Colônia".

Reação

No contexto da chegada de mais de 1(um) milhão de refugiados na Alemanha no ano passado, esses eventos tiveram um significado político imediato. Tanto a imprensa tablóide, liderada pelo Bild, e organizações de extrema direita foram rápidos em colocar toda a culpa sobre os "estrangeiros". No início, a conversa era sobre "os norte-africanos" e "muçulmanos", mais tarde, a tensão mudou para "refugiados".

Isso representou uma mudança dramática na cobertura da mídia. Lá se foram os relatos de refugiados sendo acolhidos por massas de voluntários em toda a Alemanha, em vez disso, havia histórias de um encobrimento oficial.

Bild, por exemplo, embora não abertamente tenha afirmado que os refugiados eram os culpados, definitivamente afirmou: "Pode-se ainda fazer a pergunta". Em 6 de janeiro, ele publicou a manchete: "Por que os relatos da mídia tão tardiamente?", a fim de sugerir a resposta imediatamente com a sua próxima pergunta: "Foi por causa de uma preocupação equivocada de que os autores obviamente vieram de países árabes e norte-Africanos? Porque alguns deles podem ser refugiados?"

Organizações de extrema direita como a Aliança pela Alemanha foram rápidos em tomar conta da questão, perguntando "Após a onda de crimes e agressões sexuais, a Alemanha agora é colorida e cosmopolita o suficiente, Sra Merkel?" O ex-ministro do Interior, CSU, Friedrich, sugeriu que era um "cartel do silêncio" e um "blecaute de notícias" que só foram "quebrados" graças ao Bild.

Porque não houve prisões na época, o relatório policial de rotina descreve celebrações da noite como "em grande parte pacífica", não há praticamente nenhuma informação oficial sobre os responsáveis ​​pelos ataques, mas a mídia tem encabeçado relatório de testemunha ocular de "homens do Norte Africano ou de aparência árabe".

A atitude correta é clara. Devemos ser inequivocamente a favor da defesa das mulheres contra o assédio sexista, mas somos contra as tentativas dos racistas de  demonizarem todos os migrantes. Ações combinadas por mulheres, alemães e imigrantes ao longo desta abordagem demonstram a maneira de responder.

Causas

Ao explicar o comportamento reacionário não é para desculpá-lo. Também não significa que não nos opomos a atitudes reacionárias e abuso sexista entre os migrantes como decisivamente na sociedade em geral. Como todo mundo, sua consciência é marcada pelas condições sociais em que vivem e essa consciência só será alterada através de uma ação política anti-racista e anti-sexista, da classe trabalhadora ativa, que não só combate idéias reacionárias, mas, acima de tudo, as relações que as produzem.

Como internacionalistas e anti-racistas, nós nunca ter baseamos a nossa solidariedade para com os refugiados sobre a idéia de que eles são "melhores" pessoas, mas, acima de tudo, sobre o fato de que são vítimas do sistema capitalista. O Imperialismo alemão, sua classe dominante e seu governo, ajudam a manter esse sistema e lucram com isso.

 

Susanne Kühn, Bandeira Vermelha No 2 Sat, 23/01/2016 - 11:03

 

 

 

 

Traduzindo por Liga Socialista em 25/01/2016