Brasil: o golpe contra a classe trabalhadora

27/09/2015 21:36

Brasil: o golpe contra a classe trabalhadora

Em junho de 2013, a população foi às ruas, inicialmente contra o aumento das tarifas do transporte coletivo urbano, mas que não demorou para que outras reivindicações justas aparecessem como por exemplo a melhoria na saúde, educação, moradia, nos serviços públicos em geral e contra a corrupção e outras que foram aparecendo à medida que os protestos iam se multiplicando pelo país afora.

Naquele momento, setores da extrema direita se aproveitaram dos atos e levaram um discurso de ódio aos partidos políticos, principalmente ao PT e partidos de esquerda. Conseguiram insuflar os participantes contra manifestantes com bandeiras vermelhas e partidárias. O que vimos foi manifestantes agredindo militantes da esquerda que estavam com bandeiras de partidos como o PSTU e PCO, que tiveram suas bandeiras arrancadas, queimadas ou rasgadas.

Apesar das justas reivindicações, os setores de esquerda não conseguiram capitalizar esses movimentos e dar uma direção revolucionária.

Logo após, as centrais sindicais tentaram um movimento de frente única para dar direção à classe trabalhadora, mas a quantidade que ocupou as ruas nesse movimento convocado pelas centrais não expressou uma grande força como se pretendia.

Ao contrário, nas manifestações de junho, a direita conseguiu a simpatia de muitos manifestantes, que tornaram a aparecer no momento das eleições em 2014, quando vimos a grande polarização. De um lado a candidata do PT (Dilma Rousseff) com o discurso da defesa dos direitos da classe trabalhadora e do outro lado, o candidato do PSDB (Aécio Neves) que atacava insistentemente a corrupção, que é a grande mancha do governo petista.

No segundo turno a situação ficou ainda mais acirrada com manifestações de rua e muito enfrentamento dos dois lados, inclusive através da mídia alternativa (facebook).

Pela primeira vez vimos a direita com movimentos de rua que não eram realizados com militância comprada. Era movimento de pessoas que traziam o ódio ao PT e ao socialismo. Esse movimento era tão grande e forte quanto o dos petistas e governistas.

Com a vitória de Dilma Rousseff o movimento de direita não se conformou e continuou a convocar manifestações, nas quais vimos desde as denúncias de corrupção, pedidos de impeachment e até mesmo de intervenção militar, que era uma posição minoritária.

Aécio Neves, no senado dá apoio ao pedido de impeachment, provocando a visualização de uma divisão no PSDB, uma vez que outro setor, ligado a Serra e Alckmin mostra-se contrário ao impeachment.

A esquerda vê a necessidade de enfrentamento ao movimento golpista que começa a se formar, lembrando até mesmo que algo semelhante já aconteceu na história do Brasil, quando o governo Jango foi deposto por um golpe militar em 1964.

Foi então que o PT, PCdoB, Psol, CUT, CTB, UNE, Consulta Popular, Pastorais Sociais, Pastoral da Terra, MST, MTST e outros movimentos sociais convocaram um dia de mobilização no país “Em defesa da democracia, contra o golpe”.

Sendo um movimento de frente única, os diversos movimentos  sociais aproveitaram para colocar suas reivindicações específicas no movimento. Assim vimos o MTST reivindicando política pública para moradia popular; o MST reivindicando a reforma agrária; e a maioria deles unificados contra o Ajuste Fiscal, mais um retrocesso do governo Dilma que, desde a posse do segundo mandato, vem aplicando a política que segundo a candidata Dilma, seria aplicada por Aécio Neves.

Muitos trabalhadores entenderam o momento e se juntaram nas ruas contra o golpe e criticando o ajuste fiscal do governo Dilma. Mas tivemos também muitos trabalhadores que se juntaram para defender especificamente o governo Dilma, orientados pela direção da CUT, da CTB, do PT e do PCdoB.

Na verdade, esse “medo do golpe” levou as direções traidoras a defenderem o governo como se esse fosse um governo dos trabalhadores. Por outro lado os empresários, latifundiários, agronegócio e principalmente os banqueiros, aproveitam o momento para exigirem do governo avanços na política para a direita.

Não precisamos de muito esforço para perceber que o governo Dilma tenta escapar de um possível processo de impeachment procurando a todo tempo o diálogo com os representantes da burguesia dentro e fora do Congresso. Assim, o governo Dilma dá as costas aos trabalhadores e estende os braços para a burguesia e seus representantes.

Aí está o verdadeiro golpe contra a classe trabalhadora. Nesse momento a burguesia está em vantagem, pois tem um governo desgastado pelos escândalos de corrupção e que está “entregando a cabeça da classe trabalhadora em uma bandeja” para tentar salvar seu mandato.

No Dia dos Excluídos, que acontece tradicionalmente no dia 7 de setembro, as manifestações foram marcadas pelas palavras de ordem contra o golpe e o Ajuste Fiscal.

Com mais um “pacote” de medidas editado pelo governo no dia 14/09/15, Dilma dispara mais uma vez contra a classe trabalhadora anunciando o corte de mais de R$ 26 bilhões no Orçamento, com o congelamento no salário dos servidores e no financiamento do programa Minha Casa Minha Vida, além do corte de R$ 3,8 bilhões na saúde.

Está correta a Coordenação Nacional do MTST, quando afirma que “A solução para o problema fiscal deve ser buscada em cima daqueles que ganharam como nunca nos últimos anos”. E também quando explicita que “Defenderemos nas ruas a taxação das grandes fortunas, de dividendos e remessas de lucro, além da maior progressividade no Imposto de Renda. Os ricos, banqueiros e empresários devem pagar a conta”.

Para a classe trabalhadora, a saída está na organização e mobilização ocupando as ruas do país em um movimento de frente única, exigindo do governo e do Congresso Nacional o fim da política de ataques aos nossos direitos e conquistas.

Só assim, a classe trabalhadora poderá empurrar suas lideranças para frente, ou desmascará-las e destituí-las, para preparar e convocar uma Greve Geral, medida urgente e necessária para obrigar o governo Dilma a mudar sua política. Assim, através da frente única, podemos construir um novo campo político, uma oposição de esquerda ao governo Dilma.

Mas também é preciso constatar que a greve geral por si só e a construção de uma oposição de esquerda não garantem o fim das políticas de austeridade. O exemplo da Grécia, onde depois de muitas greves gerais e da queda do tradicional partido socialdemocrata uma nova "esquerda radical" de oposição chegou ao governo, apenas para continuar a política de austeridade. Isso nos deixa uma advertência clara: apenas a ruptura com o capital, com um perspectiva socialista, a construção de um partido revolucionário da classe operária permite, finalmente, a defesa de seus interesses elementares contra a pressão do capital no interno e externo. 

Isso não significa que nós não participaremos de um amplo movimento de oposição de esquerda, como pode surgir agora ao redor do MTST ou do MST. Pelo contrário, podemos fazer esse passo junto com os trabalhadores e militantes, de forma resoluta - mas insistimos, desde o início, na necessidade de uma perspectiva socialista revolucionária, pois esta é a única garantia de que uma nova oposição de esquerda não termine como o PT.

  • Contra os cortes de verba para os Serviços Públicos;
  • Contra o pagamento da Dívida Pública;
  • Contra a nova CPMF;
  • Pela taxação das grandes fortunas;
  • Por um imposto de renda progressivo;
  • Reforma Agrária sem indenização e sob controle dos trabalhadores rurais;
  • Estatização das empresas envolvidas em corrupção, sem indenização e sob o controle dos trabalhadores;
  • Por uma Petrobras 100% estatal e sob controle dos trabalhadores;
  • Pelo pagamento do Piso Salarial para o Magistério Público;
  • Pelo reajuste salarial dos servidores públicos federais;
  • Por uma educação pública gratuita, de qualidade e para todos;
  • Em defesa do SUS. Por uma saúde pública gratuita, de qualidade e para todos.

Construir a Greve Geral e a oposição de esquerda ao governo Dilma!

Construir um partido revolucionário da classe trabalhadora para romper com o capital!