Cláudia Ferreira, mais uma vítima da Polícia Militar

31/03/2014 21:22

Cláudia Ferreira da Silva foi assassinada pela Polícia Militar do Rio de Janeiro. Moradora do Morro da Congonha, em Madureira (subúrbio do Rio de Janeiro), mãe de 4 filhos, negra, Cláudia havia saído pra comprar pão. Foi atingida por dois tiros, um no peito e outro na cabeça. Os policiais a jogaram no porta-malas da viatura e durante o trajeto seu corpo caiu no asfalto, ficando parte agarrado à viatura, sendo arrastado por aproximadamente 350m. Segundo sua filha, Cláudia ainda estava consciente quando foi jogada no porta-malas do carro da polícia. A cena foi gravada por um cinegrafista amador e foi divulgada para todo o Brasil pelos telejornais e pela internet.

Com um tiro no peito e outro na cabeça, não há dúvidas, Cláudia foi executada! Por quê? A resposta é muito evidente, embora seja muito dura. Cláudia era moradora do subúrbio, era pobre e era negra. Estamos diante de várias situações em um só fato. Não existe prioridade sobre o que vamos expor. Vamos apenas tratar dessas situações específicas.

Cláudia era negra. O racismo está claro, assim como aconteceu com o servente de pedreiro Amarildo, em 2013. Além disso, era pobre e morava no subúrbio. Com certeza não teria sofrido nada disso se fosse branca, tivesse uma boa situação financeira e morasse em um dos bairros da alta sociedade.

Certamente estamos tratando de violência, racismo, pobreza e ataque criminoso do estado burguês que se diz “democrático”. Mas precisamos discutir a prática da Polícia Militar. Esse tipo de atitude da polícia não existe apenas no Rio de Janeiro e nem apenas na Polícia Militar. Trata-se de uma herança da ditadura militar que se implantou no Brasil por 21 anos. Apesar de termos conquistado a “democracia”, o estado continua burguês e os meios de repressão não foram desconstituídos. A formação dos policiais segue a mesma formação daqueles no período ditatorial. Podemos ver isso em várias situações como, por exemplo, durante as greves de trabalhadores, nas “ocupações” de bairros da periferia por tropas de ocupação, nas desocupações de áreas ocupadas por “trabalhadores sem-teto” ou “sem-terra”, nas manifestações populares e outras.

Nada justifica a violência da polícia contra os trabalhadores e pobres da periferia, nem mesmo a desculpa de combater ao tráfico de drogas ou a pacificação de favelas e preparação para a Copa do Mundo FIFA. Nada disso justifica a grande guerra aberta contra as populações pobres. Querem estabilidade para a realização da Copa e das Eleições 2014. Está claro para nós que a democracia no estado burguês existe apenas para os ricos. Para os pobres e trabalhadores, existe uma ditadura que precisa ser vencida por um processo revolucionário por uma sociedade socialista.

A polícia não garante os direitos dos trabalhadores e nem os protege. Na verdade, a polícia é um órgão de repressão aos trabalhadores e às suas lutas. Para isso ela emprega até mesmo a “política do terror”. A única saída para a classe trabalhadora é o fim da polícia. Precisamos constituir as milícias operárias, que atuem sob o controle das entidades dos trabalhadores e dos Conselhos de Comunidades. Os comandantes devem ser eleitos pelos trabalhadores através dos Conselhos e seus mandatos devem ser revogáveis pelos próprios Conselhos.

Para isso, precisamos discutir sobre a constituição de uma nova sociedade, uma sociedade socialista que será imposta através da destruição do estado burguês e sobre seus escombros será construído um estado operário. Somente assim conseguiremos extirpar de nossa sociedade essa polícia criminosa, herança da ditadura militar.

  • Pelo fim da polícia.
  • Pela constituição das milícias operárias, controladas pelo Poder Operário.
  • Pela destruição do estado burguês.
  • Por um estado operário.
  • Por uma sociedade socialista.