Do preconceito ao retrocesso, perde a classe trabalhadora

29/10/2017 21:55

Raquel Oliveira, 29/10/2017              -    

No final do século 20, minha prima matriculou sua filha em um colégio de freiras, particular. Um colégio muito conceituado. 

Muito solícita, ela me mostrou dois livros que estavam sendo usados no colégio: Apelido não tem cola e Mamãe botou um ovo. O primeiro tratava da questão da diversidade e, consequentemente, do respeito à diversidade. 

O segundo, tratava de forma leve e divertida, ricamente ilustrado, sobre como são feitos os bebês. Na época, as famílias adoravam essa abordagem, pois "facilitavam" o trabalho dos pais diante das inevitáveis perguntas sobre a origem dos bebês. Ela me mostrou os livros para que eu avaliasse a possibilidade de usá-los em sala de aula. Claro que quis usá-los, mas infelizmente, a biblioteca do professor não tinha os dois títulos. O que tinha não era suficiente para todos os alunos. 

Muito me choca e causa espanto o fato de ao invés de avançarmos nesses temas e pedagogia, hoje, a sociedade faz um caminho inverso: em pleno século 21, as ideias se aproximam rapidamente do século 19. 

A questão é que não estamos tendo a capacidade de perceber o jogo sórdido que conduz a esse caminho. A exacerbação do preconceito, da misoginia, da homofobia, do conservadorismo de modo geral é estratégica. Interesses dominantes nos levam a divisões, verdadeiras guerras entre a classe trabalhadora, para nos distrair enquanto nos tiram tudo: direitos e dignidade. Direitos trabalhistas, direito a aposentadoria, a educação pública, a saúde, a alimentação, ao trabalho digno. Basta ver que, o Governo Temer edita uma portaria que revoga a lei Áurea! Que nos manda direto ao ano de 1887 permitindo a escravidão, privando os trabalhadores de qualquer possibilidade de uma vida digna! 

Enquanto temos que lutar para garantir o respeito a diversidade, vemos nossos direitos a uma vida digna sendo reduzidos a pó. O século 21 tão esperado se apresenta como uma profunda frustração. Não quero voltar ao século 20. Precisamos dar novo rumo ao nosso tempo. Um tempo que deveria ser de evolução não de retrocesso. Não ganhamos nada com ideias retrogradas e ultrapassadas! Perdemos nós todos trabalhadores. Permitimos ganhar aqueles que nos atacam, oprimem e matam!