Eletricistas mexicanos protestaram ontem contra a decisão da Corte Suprema

03/02/2013 21:30

Eletricistas mexicanos protestaram ontem contra a decisão do Supremo Tribunal Federal que rejeita a substituição da extinta Luz e Força pela Comissão Federal de Eletricidade

 

Vinte e quatro horas após a decisão do Supremo Tribunal de Justiça do México (30/01) de que a Comissão Federal de Eletricidade (CFE) não é substituta como patrão da extinta Luz e Força Centro, pelo segundo dia consecutivo milhares de eletricitários voltaram a ocupar as ruas para expressarem sua rejeição a essa decisão.

Assim, os trabalhadores atenderam ao chamado à mobilização do dirigente do Sindicato Mexicano dos Eletricitários (SME), Martin Esparza, que liderou o protesto, depois de esgotar a via legal com a decisão do Supremo Tribunal Federal.

Desde cedo, já se podia ver ônibus lotados de pessoas que se juntavam à mobilização, que terminou no Zocalo, tarde da noite.

Mais de 20 mil pessoas, eletricitários e outros membros de outros sindicatos e organizações da sociedade civil marcharam contra a decisão do Tribunal pela principais ruas da Cidade do México. Os eletricistas marcharam e cantaram com os punhos no ar: "Eles dizem que nós estamos liquidados, aqui vamos mostrar que eles estão equivocados", foi um dos slogans que gritavam bem alto, milhares de trabalhadores de vários sindicatos e organizações.

Caso a decisão do Supremo fosse favorável aos eletricitários, conforme decisão em setembro de 2012, do Segundo Tribunal Colegiado do Trabalho, ou seja, a CFE seria substituta da Luz e Força Centro, fechada em 2009 pelo ex-presidente mexicano, Felipe Calderón, deixando mais de 40 mil trabalhadores desempregados. Assim, ela teria que pagar aos trabalhadores os salários atrasados e outros benefícios. Porém, os ministros do Supremo Tribunal de Justiça decidiram revogar a decisão que protegia os salários e empregos dos trabalhadores.

Quando foi extinta a Luz de Força, mais de 16 mil trabalhadores não aceitaram o acordo.

Portanto, a decisão dos juízes da Suprema Corte vai contra os interesses do sindicato e dos trabalhadores. Uma vez que a CFE não é considerada como substituta da paraestatal Luz e Força, os trabalhadores não podem reivindicar salários ou serem reintegrados. Como resultado, a ira dos trabalhadores foi sentida na capital do país.

A Secretaria de Segurança Pública colocou uma força de mais de três mil policiais na cidade para garantir a segurança dos manifestantes “caso acontecesse algo”.

“Nós não vamos acatar esta decisão, somos trabalhadores exigindo nosso direito ao trabalho defendido por muitos anos (...) a Suprema Corte não nos vencerá, não vamos deixar o sindicato, vamos a revanche”, disse Mario Benitez, 50 anos, que trabalhou metade de sua vida na Luz e Força.

O Sindicato dos Eletricitários (SME) realizará uma assembleia geral que decidirá a rota de suas próximas ações. Manifestantes e sindicalistas também relataram que no dia 7 de fevereiro será realizada outra megamarcha rejeitando a decisão do Supremo Tribunal Federal.

Estão certos os eletricitários mexicanos e todos aqueles que os apoiam. A unidade da classe operária é fundamental. Todas as categorias de trabalhadores mexicanos devem discutir, apoiar e participar do movimento. Esse é um movimento de resistência a investida do capitalismo contra a classe operária. O capitalismo está em crise, é bem verdade. Mas os grandes capitalistas aproveitam-se da crise para aumentarem ainda mais suas riquezas.

Assim como acontece na Europa e nos países árabes, onde os trabalhadores se organizam para resistir ao capital, os trabalhadores mexicanos também resistem e têm experiência de luta, como vimos em um passado recente em Oaxaca. O que nos falta? A construção de partidos operários revolucionários que conduzam as lutas a um processo revolucionário que leve a classe operária a vitória final.

A classe operária deve fazer a discussão das lutas imediatas em todo o mundo e da necessidade de unifica-las na luta pela derrubada do estado burguês e por uma nova sociedade, uma sociedade socialista!

 

Eloy Nogueira