Greve Geral – Unidade da classe trabalhadora contra os ataques do governo golpista.

01/05/2017 23:37

Péricles de Lima  -  

 

Unificou! Movimento Sindical, Movimentos Sociais e Estudantil

A greve geral do dia 28/04 no Brasil é avaliada pelas centrais sindicais, movimentos sociais e setores da esquerda como um grande sucesso. Para nós isso representa mais uma vitória da classe trabalhadora que entendeu a gravidade do momento em que vivemos e se esforçou para constituir uma frente única de sindicatos, movimentos sociais, juventude e partidos de esquerda. Essa greve geral é o marco da entrada da classe trabalhadora na luta e de forma unificada.

Segundo o jornal Brasil de Fato, foram cerca de 40 milhões de trabalhadores que aderiram à greve geral. Sem sombra de dúvidas, essa foi a maior greve geral no país, tanto no número de grevistas quanto na extensão do território atingido. Por outro lado, a imprensa burguesa tentou a todo custo ocultar a greve, sem falar nada sobre o fato. Mas com o passar das horas foi obrigada a mostrar as imagens, mas sempre tentando desqualificar as ações dos grevistas, principalmente nos piquetes, dizendo a todo o momento que era coisa de “vândalos” e de “vagabundos” e mostrava as imagens dos piquetes afirmando que eram poucos sindicalistas que obrigavam a maioria de trabalhadores ficarem fora do local de trabalho.

Essa luta começou já na madrugada, quando os militantes se organizaram em grupos de piquetes e foram para as portas de garagem, terminais rodoviários e metrôs e porta de fábricas para convencer os trabalhadores da necessidade da adesão à greve. No Rio de Janeiro as barcas também ficaram paradas e ruas foram fechadas por piquetes e até mesmo a Ponte que liga Rio de janeiro a Niterói ficou interditada por longo tempo. Mesmo aqueles trabalhadores que queriam ir trabalhar e mostravam-se insatisfeitos, demostravam que entendiam a necessidade do movimento.

Apesar de não haver transporte, os atos públicos foram mantidos e continuaram cheios como os anteriores e às vezes até maior, como em Belo Horizonte, capital mineira, que contou com a participação de 150 mil pessoas, que mesmo sob uma forte chuva permaneceram no ato até o final. Em Juiz de Fora, interior de Minas Gerais, o ato contou com cerca de 30 mil participantes e como em outras cidades, os ônibus não saíram das garagens.

Certamente podemos dizer que essa foi a maior greve geral do país, que mobilizou cerca de 40 milhões de brasileiros contra as reformas da previdência e trabalhista. Um movimento que se espalhou por todo o território brasileiro, tanto nas grandes cidades e capitais quanto nas pequenas e médias cidades do interior.

Em algumas cidades a repressão foi violenta. No Rio de Janeiro a polícia atacou covardemente os trabalhadores e jovens quando participavam do ato público, atirando com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. A reação foi imediata e 8 (oito) ônibus foram incendiados em resposta à violência da polícia. Em Goiânia, em meio à repressão, um jovem foi atacado duramente por um policial que o atingiu com cassetete na cabeça, causando traumatismo craniano que o levou a um estado de coma, estando entre a vida e a morte no hospital. E em alguns lugares também ocorreram prisões arbitrárias, como a dos 6 (seis) integrantes do MTST. Além disso, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região teve sua sede invadida ilegalmente pela polícia e os militantes que ali estavam foram revistados de forma truculenta e agressiva.

Somente o setor do comércio teve um prejuízo que pode chegar a R$ 5 bilhões, que é o faturamento diário do comércio no país, segundo a FecomercioSP. Enquanto a mídia esconde os números e tenta desqualificar o movimento, os empresários do setor do comércio sentem exatamente o contrário e já mostram sinais de desespero devido ao prejuízo de um dia de greve.

A luta continua!

Agora, os fóruns e comitês que foram formados com a tática de frente única precisam se posicionar para exigirem das centrais que avancemos em direção a uma Greve Geral por tempo indeterminado, pela retirada do Projeto de Lei (PL) nº 6.787/2016 – Reforma Trabalhista – e também da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 287/2016 – Reforma da Previdência. Essa Greve Geral por tempo indeterminado é uma luta que pode inclusive levar à queda do governo golpista de Temer.

A esquerda deve estar preparada para isso. Tem que constituir uma unidade sólida para além da luta contra os ataques do governo Temer e dos golpistas no Congresso Nacional, que pode levar à queda de Temer. Caso isso aconteça, as reivindicações por “diretas já” que são levantadas por correntes do PT e pelo aparelho lulista, podem ser atendidas em um momento mais à frente com o intuito de acalmar as massas e canalizar a mobilização para a via eleitoral burguesa.

Nossa tarefa, enquanto revolucionários, é atuar defendendo a continuidade da mobilização, para que as centrais sindicais e os movimentos sociais e estudantil convoquem outra Greve Geral, dessa vez por tempo indeterminado. Mas não é somente isso. Temos também que trabalhar para a construção de um partido revolucionário, fundamental para a construção da revolução socialista no Brasil.

  • Contra as Reformas da Previdência e Trabalhista!
  • Nenhum direito a menos!
  • Fora Temer!