Manifestações de Março

22/03/2015 20:53

Governo Dilma (PT)

O primeiro mandato do governo Dilma mostrou aquilo que já sabíamos, que o governo do tipo frente popular trai a classe trabalhadora, pois é obrigado a atender aos interesses da burguesia à qual está atrelado. Assim, durante todo o seu mandato, Dilma se recusou a atender as reivindicações da classe trabalhadora. Enquanto isso manteve o diálogo aberto com a burguesia, atendendo sempre aos interesses dos banqueiros, dos latifundiários, do agronegócio e das multinacionais.

A falta de diálogo do governo Dilma com a classe trabalhadora e os movimentos sociais deixou claro para todos que esse governo não atenderá as reivindicações da classe trabalhadora, pois está totalmente comprometido com a burguesia. Porém, a ameaça de vitória do legítimo representante da burguesia, Aécio Neves (PSDB), nas eleições de 2014, fez com que a classe trabalhadora se apoiasse na candidatura Dilma para impor a derrota a Aécio.

Mas Dilma, que na campanha eleitoral gritou que não mexeria nos direitos dos trabalhadores “nem que a vaca tussa!”, não titubeou e continua a governar para a burguesia atacando os direitos dos trabalhadores. Isso já foi visto no final de seu primeiro mandato em 2014 ao fazer uma nova Reforma da Previdência através das Medidas Provisórias 664 e 665.

Sobre as manifestações

As duas manifestações ocorridas no país, em março deste ano, foram diferentes no tamanho e no conteúdo. As manifestações do dia 13 ocorreram em todo o país, principalmente nas capitais. Somente na cidade de são Paulo a participação foi de aproximadamente 100 mil pessoas, segundo o presidente da CUT, Vagner Freitas; segundo o Datafolha, foi de 42 mil. A convocação feita pela CUT e demais centrais, UNE, MST, MTST e outras entidades, tinha como reivindicações a defesa da Petrobrás – por uma Petrobras 100% estatal -, a revogação das MPs 664 e 665 – reforma da previdência do governo Dilma-, a reforma agrária, a defesa da democracia – Plebiscito por uma Constituinte exclusiva para fazer a Reforma Política-. Marca importante das manifestações do dia 13 foi a participação de vários grupos sociais – indígenas, negros, mulheres, LGBT, MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), movimentos urbanos e camponeses etc.

Uma característica importante que constatamos nessas manifestações do dia 13/03 foi que, em muitos lugares, a maioria dos participantes abriu mão das reivindicações transformando-as em manifestações de apoio incondicional ao governo Dilma.

No dia 15 de março as manifestações “Fora Dilma” ocuparam as ruas das principais cidades do país. Apesar do grande número de participantes, essa foi sem dúvida alguma uma marcha de caráter reacionário, onde muitos pediam o fim da corrupção e o impeachment da presidente Dilma. Mas, não foi raro vermos grupos defendendo a volta da ditadura militar. Só em São Paulo, segundo os organizadores, foi um total de 1 milhão de participantes e segundo o data folha, 210 mil.

Tanto na marcha do dia 13/03 quanto na do dia 15/03, a grande diferença entre os números de participantes divulgados pelos organizadores e pelo Instituto Datafolha é agora o menos importante. Temos que perceber que a marcha do dia 15/03 foi uma grande manifestação em todo o país, de uma direita golpista e raivosa, contando inclusive com a presença de setores fascistas. Além disso, temos que destacar também o papel exercido pela “grande mídia”, principalmente a Rede Globo, que ajudou muito na convocação para esse ato, dando grande destaque ao mesmo, praticamente a cada 10 minutos desde o turno da manhã.

Podemos perceber que a liderança desse movimento estava dividida em três correntes. A mais radical “SOS Forcas Armadas”, fazia a convocação para um novo golpe militar. Em São Paulo eles estiveram presentes com vários caminhões de som. A bandeira era o seu slogan: “Idiotas exigem impeachment - Patriotas exigem intervenção constitucional”. Uma outra corrente, que podemos considerar como de centro é o "Movimento por um Brasil Livre" (MBL), que reivindica o impeachment de Dilma e a “derrubada do PT”. O MBL é uma organização neoliberal acadêmica e ancorada em estudantes. De acordo com a “The Economist”, no ano passado essa organização foi fundada “para propagar as respostas do mercado livre para os problemas do país.” O partido Solidariedade, de Paulo Pereira da Silva (Paulinho da Força Sindical), também pertence a essa corrente. Em São Paulo, o MBL e apoiadores vaiaram o "SOS Forcas Armadas" quando eles decidiram deixar o protesto e gritaram: “Nós não precisamos de vocês.” A terceira corrente formou o "Vem pra Rua". De acordo com Renan Santos, organizador do MBL, é neste grupo que está o PSDB: "As pessoas são mais velhas, que têm mais dinheiro e o PSDB nas costas". Seu objetivo é fortalecer a oposição ao governo, mas rejeitam o impeachment, pelo menos por enquanto.

É claro que não podemos viver a paranóia golpista, mas também, não podemos minimizar o que está acontecendo, pois diante da crise internacional do capitalismo, o Brasil ainda oferece muitas riquezas a serem exploradas e uma mão de obra abundante que pode ficar ainda mais barata com a retirada de direitos conquistados com décadas de luta. Sendo assim, o imperialismo certamente está atento aos acontecimentos e estudando como e qual será sua melhor intervenção.

Se olharmos a nossa volta, na América Latina, podemos perceber que os golpes reacionários são uma triste realidade. Tivemos o “impeachment” de Fernando Lugo, no Paraguai, que dormiu presidente e acordou deposto; em Honduras também vimos acontecer com o presidente Manuel Zelaya; na Venezuela vimos a tentativa do sequestro do então presidente Hugo Chávez e, agora, vemos também um movimento reacionário contra o presidente Nícolas Maduro; no Equador, Rafael Correa também enfrentou uma tentativa de golpe em setembro de 2010; na Argentina, a presidente Cristina Kirchner sofre uma oposição constante que abre caminho para um possível golpe.

Aqui no Brasil, temos que considerar também as manifestações de junho de 2013. Naquele momento, na onda da luta contra o aumento das tarifas do transporte coletivo, outras reivindicações legítimas foram acrescentadas, como por exemplo, Educação e Saúde Pública de qualidade, moradia, passe livre e outras que foram surgindo no decorrer do movimento.

Esse movimento de 2013 que surgiu de forma espontânea, rapidamente foi influenciado por direções reacionárias e de cunho fascista. Não demorou para vermos naquelas manifestações a palavra de ordem “fora os partidos”, que induziu os participantes a arrancarem as bandeiras dos militantes de várias organizações de esquerda que se integraram às manifestações, agredindo-os com socos e pontapés. Desde então, a fúria e o ódio contra o governo Dilma e, principalmente contra o PT, vem sendo alimentados e crescendo em grandes proporções. Essa mesma fúria, apesar de aparentemente controlada, se manifestou novamente nas eleições presidenciais em 2014, principalmente no segundo turno, onde a disputa ficou polarizada entre as candidaturas de Aécio Neves (PSDB) e Dilma (PT).

Dilma venceu as eleições por uma pequena diferença, o que trouxe a inconformidade aos apoiadores e eleitores de Aécio Neves, que continuaram a organizar manifestações contra a corrupção e colocando o “Fora Dilma” na boca do povo.

A farsa do grito contra a corrupção

Os noticiários da “grande mídia”, principalmente das redes de TV, e também das redes sociais, mostram durante todo o tempo os escândalos da corrupção, principalmente da Petrobras e procuram a todo custo ligar a corrupção ao governo e ao PT.

Nessa situação, não podemos deixar de dar destaque à farsa do grito contra a corrupção. No escândalo da operação “lava jato” os envolvidos ligados ao PT, não possuem cargos importantes no governo e nem no Congresso. A maioria dos envolvidos era de partidos pequenos com base no governo e dois políticos de destaque do PMDB, José Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados e Renan Calheiros, presidente do Senado. Por incrível que pareça, esses dois nomes do PMDB estão sendo propositalmente preservados pela “grande mídia” que não dá tréguas para o PT e seus partidários envolvidos no escândalo.

Portanto, percebemos que o ataque à corrupção é tratado de forma diferente, quando se trata de partidários do PT. Nesse caso, a “grande mídia” divulga intensamente, condenando publicamente seus atores e, consequentemente o partido, antes mesmo de serem julgados pela Justiça.

Essas manifestações imensas que ocorreram no dia 15 de março têm o claro objetivo de aniquilar o PT e suas lideranças. Ninguém pode negar que as lideranças do PT fizeram por onde para que isso acontecesse. Primeiramente, quando fez as alianças espúrias com partidos da burguesia, abrindo os braços para os empresários que se interessaram no “financiamento das campanhas eleitorais”. Consequentemente, em segundo lugar, estão os escândalos das corrupções em que o partido e suas lideranças se envolveram e que estão sendo investigados pela polícia federal.

Construir a Greve Geral

Apesar do “mar de lama” que atingiu o PT, ofuscando o brilho de sua estrela, a classe trabalhadora atendeu à convocação das centrais sindicais e dos movimentos sociais e foi para as ruas em defesa do governo Dilma. Por pior que seja o quadro político no qual está inserido o PT, a maioria da classe trabalhadora mostra que mantém sua referência no PT e na CUT, bem como em suas lideranças, por mais que essas tenham traído os princípios de fundação do PT e da CUT, que são princípios da classe trabalhadora.

Assim, podemos concluir que a maioria da classe trabalhadora se apoia nessas ferramentas de luta, construídas por ela, mas carcomidas pela burocracia, para lutar contra a direita golpista e reacionária.

Os revolucionários devem aproveitar o momento e aplicar a tática de frente única, ocupando o espaço nesses movimentos e colocando na ordem do dia as principais reivindicações da classe trabalhadora e a necessidade de construção da Greve Geral, obrigando assim, suas lideranças a irem mais longe do que pretendem.

Só assim conseguiremos efetivamente enfrentar o governo Dilma e seus aliados capitalistas, forçando o governo a atender as reivindicações da classe trabalhadora. É essa mobilização que também nos ajudará a derrotar a direita golpista e reacionária.

 

Em defesa da Petrobras!

Por uma Petrobrás 100% estatal e sob o controle da classe trabalhadora.

A Petrobras é nossa!

Em defesa da Previdência!

Revogação das Reformas da Previdência dos governos de Lula e de FHC.

Revogação das MPs 664 e 665 (Reforma da Previdência do governo Dilma).

Pelo fim da terceirização!

Retirada imediata do PL 4330/04 (Deputado Sandro Mabel).

Revogação de toda a legislação que permite a terceirização.

           Reforma Agrária e Urbana!

Contra o latifúndio e o agronegócio.

Contra as sementes transgênicas.

Contra a especulação imobiliária urbana.

Em defesa dos direitos democráticos!

Pelo fim do financiamento privado para as eleições.

Barrar a direita golpista e reacionária.

 

DIREITOS NÃO SE REDUZEM. SE AMPLIAM!

Para enfrentar o governo Dilma e seus aliados capitalistas;

e para derrotar a direita golpista:

CONSTRUIR A