Marcha em Brasília pode ser o início da oposição camponesa ao governo Dilma

25/08/2012 13:42

Marcha em Brasília pode ser o início da oposição camponesa ao governo Dilma

 

25/08/2012

Articular a unidade dos trabalhadores do campo e das cidades

Cerca de 10 mil pessoas participaram da marcha dos movimentos sociais do campo, em Brasília, no dia 22 de agosto de 2012. Uma comitiva de mulheres representando as 13 organizações que gestaram o encontro foi recebida pelo ministro da secretária geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Segundo Alexandre Conceição, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no momento não há o que negociar com o governo, apenas informá-lo sobre o que estão pensando as organizações que estão iniciando um processo de aproximação.” Assim relata Vinicius Mansur, na matéria do Carta Maior.encontro_campo

Essa é a expressão dos trabalhadores do campo que já não acreditam mais em promessas do governo popular do PT. Cansados de tanto sofrimento e demora no atendimento de suas reivindicações, decidiram se mobilizar e começam a construir a unidade dos movimentos sociais do campo. De forma correta, iniciam o movimento resgatando a história de um movimento semelhante que aconteceu em 1961, quando foi realizado o I Congresso Nacional Camponês, organizado pelas Ligas Camponesas.

Dessa forma, esse fato não foi se limitou a marcha dos movimentos de camponeses, mas foi também a realização do II Congresso Nacional Camponês, que durou três dias e foi articulado pelas 13 principais entidades camponesas.

A insatisfação dos camponeses com o governo está clara nas manifestações dos participantes. Para Rosângela Piovizani, dos Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), “O governo conhece bem as nossas reivindicações, mas não nos atendeu. A não resposta às nossas pautas fez com que unificássemos as ações, com forte expressão política. Para o próximo período, se desenha um cenário de grandes mobilizações nos estados”.

Para Denildo Rodrigues, da Coordenação Nacional dos Quilombolas (CONAQ), “O Estado brasileiro está vendido para o capital do agronegócio, por isso não se respeita o direito de território indígena, nem quilombola”.

Vinicius Mansur, Carta Maior, confirma isso ao relatar que “A insatisfação dos movimentos sociais do meio rural com o governo Dilma é grande. Eles afirmam que em seus dois anos de mandato não houve nenhum decreto para desapropriação de terras para a reforma agrária. Os movimentos indígena e quilombola também elencam uma longa lista de violações de seus direitos por parte do Estado. Por outro lado, a senadora e principal representante do agronegócio, Kátia Abreu (PSD-TO), foi recebidas inúmeras vezes por Rousseff, dando margem, inclusive, para especularem o nome da ruralista para comandar o Ministério da Agricultura em 2013”.

Está claro para todos o total descompromisso do governo Dilma com os camponeses e dependendo de sua vontade, a reforma agrária não avança um milímetro sequer. O compromisso do governo Dilma é com os latifundiários e multinacionais do agronegócio. Os trabalhadores camponeses já entenderam que a reforma agrária no Brasil somente acontecerá se for “na marra”.

Os trabalhadores das cidades precisam apoiar esse movimento através de suas organizações, principalmente a CUT, maior central da América Latina, que já organizou para o dia 5 de setembro a marcha da classe trabalhadora a Brasília. Essa unidade, dos trabalhadores do campo e das cidades tem que ser trabalhada a fim de exigir do governo Dilma a mudança de sua política, realizando a reforma agrária, proibindo demissões em massa, investindo nos serviços públicos e atendendo as demais reivindicações da classe trabalhadora do campo e das cidades.

Participaram do Encontro as seguintes entidades: Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), a Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), a Cáritas Brasileira, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), 0 Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento Camponês Popular (MCP), o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf).