Novo programa de austeridade na Grécia

14/11/2012 21:15

Novo programa de austeridade na Grécia: greve geral por tempo indeterminado na agenda

Na maior parte da semana passada, a Grécia foi abalada por uma nova onda de greves e protestos. A razão para isso era um novo pacote de austeridade que foi acordado na noite de 7 de novembro por uma maioria no parlamento. Sob a pressão da Troika, outros €18,5 bilhões devem ser cortados dos gastos do governo em 2016. O pacote de austeridade significa mais perdas de empregos, aumento de impostos e cortes nas pensões, bem como serviços de saúde e sociais.

A maioria governista

A resposta às propostas de austeridade foi uma greve geral 48 horas na terça-feira e quarta-feira, embora os primeiros ataques começaram na segunda-feira. No entanto, apesar do amplo apoio dado a greve, com o fechamento de muitas pequenas empresas e trabalhadores independentes também paralisados no dia, o governo foi capaz de reunir uma maioria.

No entanto, os deputados de DIMAR, uma divisão para a direita de Syriza, abstiveram-se. Alguns dos deputados do PASOK não votaram com o governo, como resultado, seis membros foram expulsos do grupo parlamentar e outro renunciou na quinta-feira. Apenas 4 meses após as eleições, este governo já parece à beira do colapso.

Mesmo o governo sendo capaz de obter uma maioria clara sobre a votação para o orçamento de 2013, isso não muda nada de fundamental no processo de sua decomposição. Esta é, acima de tudo, uma expressão da crise profunda e revolucionária no país: até mesmo os comentaristas burgueses como o Financial Times da Alemanha são cada vez mais conscientes, muitas vezes, mais claramente do que muitos setores de esquerda.

Ao mesmo tempo, a ofensiva capitalista continua avançando sem impedimentos. Mesmo a greve geral 48 horas não poderia mudar isso. Enquanto a troika e o capital grego colocam a questão de poder de cima para baixo, a atual liderança do movimento operário, Syriza e KKE, continuam a evitar um confronto.

A questão chave é uma greve geral por tempo indeterminado

Em vez de derrubar o governo através de uma greve geral por tempo indeterminado, o KKE estalinista continua o seu curso sectário, cobrindo sua passividade com frases radicais. A maioria do Syriza também se opõe a uma greve geral por tempo indeterminado. Isso ocorre principalmente porque a liderança reformista está esperando por novas eleições e a oportunidade de ter o próprio governo.

Nem os ataques e nem a crescente ameaça do fascismo podem ser derrotados desta maneira. Na Grécia, onde um em cada quatro trabalhadores, está desempregado, e entre os jovens essa proporção é dois para um, a pergunta "Socialismo ou Barbárie?" se coloca cada vez mais acentuada.

Isso pode ser visto na radicalização crescente. Na quinta-feira, após o fim da greve "oficial" e geral, os trabalhadores dos ônibus e metro em continuaram em greve. Em muitos sindicatos a questão de uma greve geral por tempo indeterminado agora está sendo discutida abertamente. Muito bom! Mas, a luta contra o pacote de austeridade tem de ir de mãos dadas com a luta pela derrubada do governo burguês. Isso torna ainda mais importante colocar a questão abertamente "o que deve vir depois da greve geral, após a queda do governo?"

Comitês de greve, as assembleias distritais e as organizações de defesa contra ataques dos fascistas e do estado deverão ser construídos durante a luta. Derrubar o governo de DIMAR, PASOK e da ND com uma greve geral por tempo indeterminado, porém, não deve significar apenas novas eleições, mas sim a formação de um governo dos trabalhadores, com base nas organizações de luta construídas durante tal mobilização. Devemos exigir que os sindicatos, o KKE e SYRIZA assumam tal estratégia. A formação de um governo, mesmo que em última análise, ainda seja um governo burguês dos trabalhadores, constituiria um passo importante, porque isso levaria a uma agudização das contradições.

Sem qualquer dúvida, os líderes reformistas de Syriza, o KKE e os sindicatos tentam segurar esse movimento dentro dos limites da lei e da ordem burguesa. O Syriza espera para chegar a um acordo com os líderes da União Europeia, o Banco Central Europeu, etc. O KKE tem a proposta de um "Governo Popular" de conciliação de classes e "poder do povo". Em última análise, ambos querem apenas reformar e assumir o aparelho do Estado burguês.

O que é necessário, no entanto, é esmagar o estado burguês e substituí-lo por conselhos de trabalhadores e de milícias. Só isso pode garantir que o movimento de massas e seu governo possa basear-se em suas próprias organizações, podendo assim implementar suas próprias políticas e se defender da resistência do estado reacionário e dos aparelhos fascistas.

Revolucionários, portanto, não devem apenas levar a luta para a construção de "conselhos de trabalhadores”, mas também para os “conselhos de soldados” e para o desarmamento da contra-revolução e do aparelho de repressão. Por estes meios, podemos também ganhar a confiança dos jovens e dos trabalhadores como a ala mais determinado da revolução. Em última análise, a luta deve resultar na derrubada do estado burguês, expropriação dos capitalistas e da construção de uma economia democrática planejada.

A resistência na Grécia e a luta dentro do movimento dos trabalhadores contra a liderança reformista precisa de nosso apoio! Um movimento de trabalhadores gregos isolado, uma revolução grega isolada, não poderia sobreviver por muito tempo. As greves gerais e protestos em massa na Grécia e no sul da Europa estão levantando cada vez mais claramente a questão de uma greve geral na Europa e da demanda pelos Estados Unidos Socialistas da Europa!

Georg Ismael, Gruppe Arbeitermacht, Alemanha

Tradução Eloy Nogueira

Fonte: League for the Fifth International

http://www.fifthinternational.org/content/new-austerity-programme-greece-indefinite-general-strike-agenda