O golpe é aprovado no senado

06/09/2016 21:02

No dia 31 de agosto de 2016, o senado brasileiro concluiu o golpe contra o governo de conciliação do PT. Por 61 votos a favor e 20 contrários, foi aprovado o impeachment da presidente Dilma Roussef (PT), assumindo o cargo o então vice-presidente Michel Temer (PMDB).

O resultado já era esperado até mesmo pelos próprios militantes e parlamentares do PT, que não desistiram da luta um só momento, aproveitando todas as oportunidades do processo para denunciarem o golpe e mobilizarem o povo brasileiro.

Esse golpe foi articulado pelos principais partidos de direita (PMDB e PSDB), pela mídia golpista com destaque para a Rede Globo, e pelos capitalistas da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Seu principal objetivo, como ficou claro com a denúncia de uma conversa por telefone entre Romero Jucá (PMDB) e Sérgio Machado, no qual Jucá sugere um pacto para estancar a operação lava-jato. Ficou claro que nesse pacto estariam comprometidos, o futuro presidente Michel Temer, a grande maioria dos deputados e senadores e até mesmo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Apesar da vitória do golpe o governo Temer não está à vontade, pois durante todo o processo foi ficando claro para todo o país e também para o mundo que o impeachment era um golpe. Não só um golpe contra o governo Dilma ou contra o PT, mas foi um golpe para impedir que as investigações da polícia federal na operação lava-jato chegassem a outros parlamentares, principalmente do PMDB e PSDB, e pelo visto, até a alguns ministros do STF. Além disso, foi também um golpe contra a classe trabalhadora, para retirar direitos trabalhistas e sociais. Prova disso, é que mesmo antes do senado aprovar o impeachment, Dilma já havia sido afastada de seu cargo pela câmara dos deputados e seu vice-presidente, Michel Temer, assumiu interinamente o cargo de presidente e com o poder nas mãos mudou toda a estrutura de governo.

Com a Medida Provisória 726, Temer extinguiu vários ministérios, transformou outros e criou novas pastas. Para exemplificar, o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) foi transferido para o novo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário; O Ministério da Previdência foi dividido entre dois ministérios a DATAPREV, o Conselho Nacional e o Conselho de Recursos, além da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC), dentre outros, passam a fazer parte da estrutura do Ministério da Fazenda. Já o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), responsável pela concessão e manutenção dos benefícios previdenciários passa a fazer parte do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário. Isso significa que o governo golpista de Michel Temer vê tais benefícios como uma mera questão assistencial e não como direito adquirido.

Além disso, extinguiu o Ministério da Cultura, que causou grande repercussão no meio artístico e cultural que ajudaram a levar para o mundo a imagem do golpe político no Brasil. A antiga Controladoria-Geral da União, principal investigadora dos processos de corrupção foi transformada, sob protestos dos servidores, em Ministério da Transparência. Outra medida muito atacada pelos militantes foi a extinção do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos.  A Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, o Conselho Nacional de Juventude, o Conselho Nacional de Combate à Discriminação, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o Conselho Nacional dos Direitos do Idoso e o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, foram absorvidos pelo recém-criado Ministério da Justiça e da Cidadania, que foi entregue ao Sr. Alexandre de Moraes, ex-secretário de segurança do governo Alckmin e advogado do PCC (Primeiro Comando da Capital – grupo organizado do tráfico de drogas). Um ministro de tendências claramente fascistas.

Dilma foi enfática ao denunciar que, “O golpe é contra o povo e contra a Nação. O golpe é misógino. O golpe é homofóbico. O golpe é racista. É a imposição da cultura da intolerância, do preconceito e da violência”.

As investigações sobre o governo de Temer, com um mês provocou a queda de três ministros: Romero Jucá, Ministro do Planejamento, Henrique Alves, Ministro do Turismo e Fabiano Silveira Ministro da Transparência, Fiscalização e Controle. Todos eles com citações comprometedoras na Operação Lava-Jato.

Além disso, outros 16 ministros estão sendo investigados. Ao todo, temos que 19 dos 22 nomes escolhidos inicialmente por Temer para ministro estão implicados em alguma acusação, processo judicial, investigação ou são citados na Lava Jato. 

Nesse mandato interino, Temer mostrou a que veio e anunciou várias reformas e planos de ataque à classe trabalhadora, articulado com o congresso ultraconservador e de maioria golpista.

As mobilizações que já ganhavam as ruas continuaram crescendo e fazendo o enfrentamento com a palavra de ordem “Fora Temer!”, deixando claro que ninguém está disposto a ir pra casa e aceitar o golpe de forma passiva.

A juventude, principalmente, que viu os ataques desferidos contra ela tanto nos cortes de verbas da educação quanto nas propostas de retiradas de direitos sociais e trabalhistas, já estava firme no movimento e assim continuo, bem como os movimentos de mulheres que denunciam o misogenismo dos golpistas.

Movimentos sociais, como o MST e o MTST, também vêm aplicando manifestações estratégicas, parando rodovias, avenidas nas grandes cidades e até mesmo fazendo atos como aquele em frente à residência do golpista Michel Temer.

Infelizmente, a classe trabalhadora ainda não teve uma grande participação nisso tudo. Depois de anos engordando nas cadeiras atrás das mesas dos sindicatos, preocupados apenas em blindar o governo do PT e atender às reivindicações econômicas das respectivas categorias, a burocracia sindical não consegue se mover.

A juventude e os movimentos sociais estão fazendo um grande enfrentamento ao governo golpista, mas estão sendo duramente atacados por pelotões de choque da polícia militar. A polícia, joga bombas de gás, atira com balas de borracha, joga a cavalaria, jatos d’água e batem covardemente naqueles que são presos. As cenas são chocantes e revoltantes. Percorrem o Brasil e o mundo através da mídia alternativa. Com isso, a revolta cresce mais ainda e a cada dia que passa as manifestações são cada vez maiores.

Em todas as manifestações existem falas sobre a necessidade greve geral. A CUT também fala sobre isso e chegou até a organizar plenárias estaduais para preparar a greve geral. Mas parece que isso é apenas mais uma reunião que se aprova planos de luta que não serão executados. As outras centrais de direita nem se pronunciam e as pequenas centrais, gritam que tem que ter greve, mas não têm o comando sobre a classe trabalhadora.

A situação da direção da classe trabalhadora é tão ruim, que recentemente em um artigo, o presidente da Nacional da CUT, Vagner Freitas, afirmou que os trabalhadores precisam procurar seus sindicatos para começarem a organizar as mobilizações até chegar à greve geral. Vejam que absurdo, o presidente da maior central sindical da América Latina, tentando jogar a culpa do imobilismo nas costas da classe trabalhadora.

A direção tem a obrigação de apontar o caminho da luta para a classe trabalhadora e tem que começar a fazer as convocações para a greve geral, unificando com o movimento da juventude. É a única forma de fazer o movimento crescer e evitar que a polícia massacre os jovens e integrantes dos movimentos sociais. Caso contrário, a derrota da classe trabalhadora será dada pela capitulação da direção nacional da CUT e seus sindicatos filiados ao governo golpista de Michel Temer.

  • FORA TEMER!
  • FORA GOLPISTAS!
  • NENHUM DIREITO A MENOS!
  • TODO PODER AO POVO!