Paquistão: Fábrica desaba perto de Lahore - 51 trabalhadores mortos

05/12/2015 10:54

Martin Suchanek Tue, 24/11/2015 - 09:01

 

O capitalismo mata, no sentido literal da palavra. Em 5 de novembro, uma fábrica em Sunder Estate perto de Lahore desabou, deixando pelo menos 51 mortos e mais de 100 feridos.

Os meios de comunicação e do governo no Paquistão procuram colocar a culpa pela tragédia sobre o terramoto no final de outubro, mas, ao mesmo tempo que pode ter sido o gatilho, há, razões sociais mais fundamentais por trás desta catástrofe humana.

Segurança

Por um longo tempo antes do prédio desabar, os trabalhadores tinham queixa sobre a falta de fiscalização e segurança, apontando para a frágil construção do edifício. O proprietário não só ignorou estas queixas, como acrescentou um terceiro andar, o quarto andar já estava em construção no momento do desastre. Ainda não está claro se o próprio proprietário morreu ou se está foragido, na clandestinidade.

Em qualquer caso, esse é apenas um exemplo da negligência de segurança nas fábricas e locais de construção pelos capitalistas do país. O que aconteceu em Sunder Estate é apenas o mais recente exemplo de trabalhadores que foram mortos como resultado de falhas estruturais, incêndios e negligência das normas básicas de segurança.

Há 450 outras fábricas do mesmo distrito. Na maior parte, não há sindicatos e assim, os trabalhadores são praticamente impotentes. Nos poucos casos em que existem sindicatos, esses, muitas vezes são controlados de forma eficaz pelos proprietários da fábrica.

Nos últimos quatro anos, só em Lahore, trabalhadores morreram por causa de incêndios e explosões de caldeiras. Apenas alguns dias após o "acidente" no Sunder Estate, mais cinco trabalhadores foram mortos em Lahore em outro "acidente". Alguns meses atrás, 28 trabalhadores foram mortos em Gujranwala e há três anos várias centenas foram mortos em Karachi.

Desta vez, porém, o flagrante desrespeito das normas de segurança provocou manifestações em protesto contra o caráter puramente maquiador de "inspeções" e a incapacidade de fazer cumprir as normas de segurança ainda existentes, não só em Lahore, mas também em outras cidades.

As principais reivindicações foram:

  • Inspeção de fábricas com a participação dos sindicatos (real), as medidas de segurança precisam ser implementadas com o consentimento dos trabalhadores. Normalmente, o estado e chefes concordam sobre o que é "seguro" e os trabalhadores não têm voz, e muito menos o direito de determinar o que é e o que não é "seguro". 
  • Indenização para as famílias dos trabalhadores. Algumas demonstrações exigem que deveria haver uma indenização para as famílias dos trabalhadores mortos de € 25.000.

Os apoiadores da Liga pela Quinta Internacional no Paquistão, em torno do boletim mensal "Socialista Revolucionário", participou das manifestações, assim como membros do Partido dos Trabalhadores Awami e Corrente Marxista Internacional.

Muito importante também foi quando, os trabalhadores da empresa estatal de geração de eletricidade, WAPDA, que realizavam uma greve de um dia e as manifestações em cada uma das principais cidades contra a privatização proposta para a sua indústria, apelaram à solidariedade e compensação para os trabalhadores mortos quando chegou até eles a notícia da tragédia. Só em Lahore, cinco mil trabalhadores WAPDA participaram destas ações.

Nossos camaradas participaram de uma série de manifestações e ações e visitaram a área e encontraram-se com as famílias dos trabalhadores. Em um comunicado distribuído como panfleto, exigimos:

  • Indenização para as famílias dos trabalhadores mortos
  • Inspeção de fábricas pelos sindicatos
  • Comissões de trabalhadores em áreas industriais e fábricas para decidir sobre segurança 
  • Expropriação sem indenização dos proprietários que se recusam a implementar normas de segurança 
  • Nacionalização dessas empresas sob o controle das comissões de trabalhadores.
 
 
 
 
Tradução Liga Socialista em 05/12/2015