Polícia baleou dois jovens na Comunidade da Palmeirinha, no Rio de Janeiro.

24/02/2015 15:45

Na madrugada de sábado (21/02), na comunidade da Palmeirinha, dois jovens foram baleados pela polícia, que alegou tratar-se de um conflito com traficantes locais. Chauan Jamfre Cesário, um dos jovens baleados, os dois trabalhavam como vendedores e não tinham qualquer ligação com o tráfico de drogas.

Cesário foi preso em flagrante e recebeu atendimento médico no Hospital Carlos Chagas, enquanto aguardava a alta para ser transferido para o presídio. O outro jovem era Alan de Souza Lima, de 15 anos, acabou morrendo no hospital.

Adilson da Conceição Cesário, pai de Chauan, afirmou que o filho dele não era bandido e que não houve qualquer troca de tiros. Segundo Adilson, estava escuro e a polícia entrou atirando.

Revoltados com a morte do rapaz, moradores da região realizaram um grande protesto na Avenida Brasil, incendiando um ônibus e um caminhão, provocando assim a interdição da via por cerca de quatro horas.

O batalhão de choque da PM foi acionado. Os moradores correram para a comunidade, dando fim ao bloqueio.

Mais uma vez, um pai chora a morte de seu filho e outro tenta livrar seu filho da prisão por um crime que não cometeu. Até quando aguentaremos os abusos da polícia do estado burguês, que invade comunidades atirando a esmo e justificando depois que foi troca de tiros e que houve “resistência seguida de morte”?

Não dá mais para aceitar essa hipocrisia! Vivemos no meio de uma guerra entre a polícia do estado burguês e o tráfico de drogas. Todos os dois lados estão fortemente armados, enquanto nós, trabalhadores e jovens vivemos o risco de ser alvo desses grupos distintos.

Essa política de combate às drogas, já está provado, que não serve pra nada, há não ser para a polícia invadir as comunidades, matando, prendendo e agredindo seus moradores, principalmente os jovens e negros. Enquanto isso, o tráfico está cada vez mais forte.

Precisamos de uma discussão fraterna a respeito do uso de drogas. Não há qualquer divergência de que a droga representa um mal para a sociedade, uma vez que destrói a saúde daqueles que dela dependem. Até mesmo por isso, o uso da droga não pode ser tratada como um caso de polícia, mas sim como um caso de saúde pública.

Um dependente químico necessita de um tratamento para que consiga superar seu vício e reassumir seu papel na sociedade. Mas, atualmente, ele recebe agressões e prisões arbitrárias, que só fazem aumentar seu estado de revolta levando-o a mergulhar cada vez mais fundo nas drogas.

Por outro lado, temos a polícia, que recebe um treinamento militar e por isso, já sai para o trabalho nas comunidades e nas manifestações, como se fosse para uma guerra, onde todos que ali estão são seus inimigos e por isso devem ser presos ou mortos. Muitos são os casos de abuso por parte de policiais que executaram pessoas, muitas das vezes, jovens negros e pobres. Até denúncia de estupros por parte de jovens moradoras da periferia já tivemos. Esse tipo de polícia não serve em nada à classe trabalhadora e justamente por isso precisa de um fim. Nós, trabalhadores do campo e da cidade, jovens negros e negras, não precisamos dessa polícia.

Lutamos por uma nova sociedade, uma sociedade igualitária, justa e socialista. Por isso somos contra a polícia e defendemos o fim da polícia e a constituição de Unidades de Autodefesa da Classe Trabalhadora.

Só assim conseguiremos viver sem medo. Sem medo de traficantes de drogas e sem medo da polícia burguesa.