Turquia: Solidariedade ao HDP

02/12/2016 21:43

Svenja Spunck Wed, 23/11/2016 - 04:31

 

Durante a noite de 4 de novembro, sob o pretexto de lutar contra o terrorismo, o governo turco prendeu 14 membros do parlamento do partido de oposição pró-curdo, Partido Democrático dos Povos (HDP), incluindo os dois co-presidentes do partido. Tal operação de grande escala era esperada há algum tempo, apenas a data não estava clara. Poucas semanas antes, Figen Yüksekdag, um dos dois líderes já tinha sido proibido de deixar o país.

Esta onda de prisões só foi possível porque o fim da imunidade parlamentar de vários deputados do HDP foi encaminhada pelo parlamento em Maio de 2016. Antes do encarceramento dos deputados, dezenas de prefeitos eleitos, especialmente de áreas curdas, foram removidos do cargo e substituídos por suplentes De Ancara, leais ao governo. Todos os envolvidos foram acusados ​​de cooperar com o Partido dos Trabalhadores Curdos (PKK), ou de ser membro do mesmo. Há pelo menos 102 ações legais contra o co-presidente do HDP, Selahattin Demirtas, que, em conjunto, pode resultar em duas penas de prisão perpétua mais 600 anos. Ao todo, os deputados do HDP enfrentam 550 ações.

Estado de emergência

O contínuo estado de emergência após a tentativa fracassada de 15 de julho permitiu que o presidente Erdogan estendesse seu poder de forma maciça, efetivamente implementando um contragolpe, embora não pudesse introduzir o sistema presidencial que ele queria. O HDP deixou claro desde o início que não apoiaria a implementação de um sistema presidencial e por isso é visto como o partido de oposição mais perigoso. O fato de o partido também se opor abertamente ao islamismo crescente na Turquia e demonstrado solidariedade com o sírio-curdo PYD, em Rojava, foi usado pelo partido governista da Justiça e do Desenvolvimento, o AKP, para declará-lo como o braço político do PKK e iniciar uma luta contra ele.

Desde agosto de 2015, os militares turcos realizaram numerosos massacres e destruições nas áreas curdas do país, aos quais os deputados do HDP reagiram com pedidos de liberdade e negociações. Depois de ter "levado em conta" o movimento Gülen pela tentativa de golpe, o poder do Estado está agora dirigindo seu poder contra a esquerda e o movimento curdo. Sua intenção é destruí-la antes do referendo sobre o sistema presidencial, que se espera em abril de 2017. Assim, o governo, que foi comemorado como um criador da democracia pelos governos europeus, está agindo contra a vontade de 6 milhões de eleitores.

O sucesso eleitoral do HDP em junho de 2015 foi um sinal de esperança para muitos jovens, mulheres e membros de minorias oprimidas. Esta esperança, no entanto, foi agora desfeita e a situação política é marcada pelo desespero, confusão política e medo da ditadura e do fascismo.

Os imperialistas e sua hipocrisia

O governo alemão, a União Européia, os EUA e outros estão agora declarando sua preocupação, o presidente alemão Gluck até criticou publicamente Erdogan. No entanto, isso não deve obscurecer o apoio ao governo APK que eles têm mostrado por anos. Em especial, não deve obscurecer o fato de apoiarem todos os governos turcos na sua luta contra a população curda ou de que o PKK e outras organizações curdas e esquerdistas da Turquia permaneçam nas "listas de terrorismo" da União Europeia e da Alemanha e que as deportações para Turquia ainda estão ocorrendo.

O governo alemão reagiu removendo a perspectiva de pedidos de visto mais facilitadas para o povo turco. Isto, naturalmente, não ameaça o governo ou o capital turco, mas é dirigido mais à classe trabalhadora, à juventude e às camadas empobrecidas da população para quem a liberdade de movimento já não existe.

Assim, a "crítica" da União Europeia e do governo alemão permanece puramente verbal e cosmética. Para eles, o que importa não é a "democracia" na Turquia ou o destino da esquerda ou da população curda, mas sim o fortalecimento da fortaleza Europa e a proteção dos interesses comerciais do imperialismo alemão.

Qualquer um que tenha contado com a União Europeia para os defender foi deixado sozinho, daí, a esquerda na Europa precisa praticamente se solidarizar com o HDP! Reuniões diárias e manifestações estão sendo realizadas em muitas cidades. Apelamos para que todos os apoiem porque o direito de manifestação é efetivamente abolido na Turquia. Cabe a nós divulgar os crimes do governo turco porque a imprensa turca já foi "coordenada" e só repete as frases do governo. Também cabe a nós aumentar a pressão contra o governo alemão e sua cooperação com o governo do APK.

  • Pela libertação imediata de todos os presos políticos e o seu direito a reuniões confidenciais com os seus advogados.
  • Fim do estado de emergência e revogação de todas as leis de emergência.
  • Reintegração de todos os prefeitos eleitos democraticamente.
  • Retirada das forças militares e especiais das áreas curdas.
  • A reconstrução e a compensação financiadas pelo Estado nos órgãos democráticos locais.
  • Pela autodefesa de manifestações e encontros contra a turba fascista.
  • Reabertura da fronteira sírio-turca para os refugiados.
  • Pela legalização do PKK e o levantamento de todas as outras proibições sobre organizações curdas, esquerdas e democráticas.
  • Asilo para refugiados políticos.
  • Retirada do acordo de refugiados entre a União Europeia e a Turquia, para abrir fronteiras em vez da fortaleza Europa.

 

 

 

 

Tradução Liga Socialista, 02/12/2016