Unidade da esquerda: organizando a luta pela base

22/08/2013 19:28

Rico Rodrigues

 

Na semana passada, dia 15 e dia 16 de agosto foram realizadas duas manifestações no centro de São Paulo.

Na quarta-feira foi chamado por uma manifestação contra a corrupção e por um sistema de transporte público de qualidade. A ocasião imediata foi o escândalo de corrupção no estado de São Paulo, onde vários governos tucanos (Covas, Alckmin e Serra) tem formado um cartel com várias multinacionais (Siemens, Alstom, Bombardier, Mitsui e CAF) por construções para o metrô e o CPTM. Dessa maneira foram roubados mais de 570 milhões de Reais e repartidos entre os políticos e as empresas.

Esse caso não só demonstra a natureza corrupta do PSDB como do estado capitalista em geral, se não também a hipocrisia da prefeitura de Haddad argumentando que a tarifa do metrô não pode ser reduzida, ou que precisa cortar no orçamento de investimentos.

O ato foi chamado por uma aliança entre o sindicato dos metroviários, o MPL e grupos e organizações de esquerda. Foi também apoiado pela CUT. Contou com a presença de cerca de 3.500 pessoas.

Essa mobilização foi importante e também um sucesso. Obviamente ficou muito inferior as manifestações de junho. Mas representam um processo importante de organização e aliança das organizações de esquerda. Mostra que essas organizações tem um poder de mobilização e estão avançando na sua cooperação. Também foi importante a participação do sindicato dos metroviários e de elementos de outros sindicatos, como da CUT e da CTB.

Mesmo que a participação dos sindicalistas e da base tenha sido pequena, foi um passo importante a cooperação de setores que organizaram os protestos em junho - sobretudo o MPL – com a esquerda dos sindicatos. Nem precisamos mencionar que a CUT, apesar de oficialmente apoiar a manifestação, não mobilizou nada na base de seus sindicatos.

O segundo ato, na quinta-feira, foi contra a repressão com a reivindicação importante de “Liberdade imediata aos presos políticos”. Foi um ato muito menor com cerca de 300 participantes. Chamou a atenção a ausência de blocos maiores, dos partidos e organizações de esquerda, como o PSTU e o PSOL/Juntos.

Mesmo assim o ato foi importante e levou a luta contra a repressão a rua, denunciando o caso de Amarildo e reivindicando o fim da PM. Terminou com uma plenária que decidiu a formação de um “Comitê contra a Repressão”, que vai começar a se reunir a partir de Setembro. Isso seria um passo muito importante na organização de uma luta solidária contra a repressão, entre a esquerda e a construção de apoio coletivo a militantes presos e atingidos pela repressão.

Agora é importante tentar agrupar esses elementos organizados e juntar com a mobilização das centrais em 30 de agosto. Para esse dia a CUT e as outras centrais sindicais, sob a pressão das mobilizações de junho, convocaram para greves em todo o país.

Apesar de a burocracia CUTista ser forçada a se mover, ela tenta de manter o diálogo com os capitalistas, defendendo sua cadeira na mesa de conselhos tripartites juntamente com eles e o governo. Na luta contra a terceirização, contra o PL 4330, a burocracia sindical procura fazer emendas, em vez de mobilizar para enterrar esse projeto.

A burocracia sindical tem um interesse de fortalecer a sua posição na negociação com o governo e os patrões e procura usar as mobilizações para isso. Isso tem sido o papel da burocracia CUTista desde o governo do PT. Ele não denuncia uma única vez que o projeto do PL 4330 vem de um deputado cujo partido pertence a própria base do governo do PT, o PMDB.

Na mesma lógica a burocracia não diz uma palavra sequer sobre a unificação das campanhas salariais das categorias agora no segundo semestre, como os metalúrgicos, os químicos, os têxteis e os bancários.

As greves do dia 30 de agosto precisam ser organizadas na base, independente do curso governista da liderança da CUT. É preciso organizar uma corrente unitária classista e anti-burocrática dentro da CUT, para lutar por uma direção revolucionária e anticapitalista. Portanto, atuamos no campo “A CUT pode mais”, que vemos como um agrupamento de forças de esquerda dentro da CUT. Para nós, é muito importante que se construa um forte elo entre as esquerdas, os sindicatos e os movimentos de juventude.

As organizações que mostraram sua forca na última semana em São Paulo precisam se organizar para entrarem novamente em cena, junto e lado a lado aos trabalhadores, no dia 30 de agosto, para lutarem por um programa de reivindicações imediatas.

  • Fora os capitalistas do governo! O PT tem que romper com a burguesia!
  • Estatização do transporte público sob controle operário!
  • Contra o PL 4330 – sem concessões!
  • Reajuste automático dos salários (escala móvel)!
  • Revogação das reformas da previdência dos governos Lula e FHC;
  • Reforma Agrária já, sob o controle dos trabalhadores rurais sem terra;
  • Reestatização das empresas privatizadas, sob o controle dos trabalhadores;
  • Petrobras 100% estatal, sob o controle dos trabalhadores;
  • Não aos leilões dos poços de petróleo;
  • Redução da jornada de trabalho sem redução dos salários;
  • 10% do PIB para a Educação Pública;
  • 10% do Orçamento da União para a Saúde Pública.