A FORÇA DESTRUTIVA DO CAPITAL E A EDUCAÇÃO

07/08/2018 22:04

Prof. Valter Machado Fonseca - 3 de agosto às 12:52· 

“Se tivermos sorte chegaremos à barbárie”. Inicio esta postagem com esta frase do grande pensador húngaro Ístvan Mészáros. Eles prometeram e estão cumprindo à risca o receituário neoliberal que de novo não tem absolutamente nada. O capital em crise estrutural libera todo o potencial de sua força destrutiva orientada para o desmonte total das conquistas seculares obtidas pela classe trabalhadora e a juventude, enfim, extermina os direitos de todos os setores marginalizados e oprimidos desta sociedade regida pela ganância capitalista.

É com extrema tristeza que vejo a publicação desta portaria da CAPES que acaba literalmente com todas as bolsas da pós-graduação em nosso país. Isto significa o desmonte total da universidade, pois, extermina de uma só vez dois de seus pilares: a pesquisa e a extensão. A universidade brasileira se transforma num grande colégio, numa espécie de uma extensão do Ensino Médio, em instituições que visam a mera transmissão dos conhecimentos adquiridos no Ensino Médio. Ao mesmo tempo extinguem-se quaisquer recursos para os projetos de formação de professores como o Pibid, os projetos de formação continuada, extinguem-se os programas de estágios docentes, o que precariza ainda mais (como se isso fosse possível) o ensino público e a Educação Básica no Brasil.

Tudo isso anda na contramão das contradições dos discursos eleitoreiros hipócritas e mentirosos que circulam nas principais redes das grandes mídias, sejam elas escritas, faladas ou televisivas. “Que país você quer para o futuro?” Este é o slogan lançado pelos baluartes da famí(g)lia Marinho, uma propaganda enganosa que utiliza o povo simples de nosso país para fazer sua propaganda eleitoreira enganosa, enquanto se constroem projetos espúrios para a destruição total de todas as conquistas históricas da classe trabalhadora.

Eles anunciaram, eles estão cumprindo. E isso é apenas a ponta do iceberg sob o qual se esconde o grande pacote de desmonte de todas as conquistas secularmente adquiridas pela classe trabalhadora na história da luta de classes no Brasil e em todo o planeta.

E, o que fazer? Embora com diversas bandeiras estranhas aos movimentos e mobilizações legítimas e clássistas dos trabalhadores, a greve dos caminhoneiros serviu para mostrar o caminho: é preciso parar literalmente o país por intermédio da construção efetiva da greve geral pela classe trabalhadora no campo e na cidade e pelos movimentos sociais da juventude e demais setores oprimidos desta sociedade que faz das desigualdades sociais suas fontes de mais-valia. Esta é a linguagem e a forma de luta que as experiências concretas da luta de classes em nível planetário nos deixaram como legado para a superação da exploração capitalista e pela retomada de todas as conquistas extirpadas da classe trabalhadora pelas forças destrutivas do capital. Portanto, este é o único caminho capaz de parar a ofensiva brutal das forças destrutivas do capital e colocar novamente o movimento dos explorados como protagonista da história da humanidade.

 

Esse texto é uma contribuição do companheiro Professor Valter Machado Fonseca – Geógrafo, Mestre e Doutor pela Universidade Federal de Uberlândia (MG) – UFU. Professor Adjunto do Departamento de Educação da Universidade Federal de Viçosa (DPE/UFV).