1º de MAIO, DIA DO TRABALHADOR

28/04/2019 15:37

No Brasil o 1º de maio é lembrado como mais um feriado nacional. Precisamos lembrar os reais motivos que levaram à instituição desta data como o DIA DO TRABALHADOR. Foram lutas travadas cotidianamente, dentro das unidades produtivas, e levadas às ruas e praças, revelando uma capacidade organizativa em várias partes do mundo.

As primeiras manifestações da classe operária pela redução da jornada de trabalho aconteceram em Manchester, Inglaterra, em 1819. O Governo atuou rapidamente, procurando sufocar os protestos, enviando tropas que dispararam tiros de canhão contra a multidão. A resistência dos explorados continuou, apesar das baixas, conseguindo, pouco a pouco, conquistas parciais que amenizavam a situação das crianças que trabalhavam nas fábricas. Para os adultos, em 1847, foi aprovada uma lei que limitava, em dez horas, a jornada diária.

Na França também aconteciam choques resultantes dos conflitos de interesses. Os patrões e o governo, fizeram de tudo para não cederem às pressões. As reuniões para organizar o movimento por onze horas de trabalho foram consideradas uma incitação à desordem, já em 1830. No ano seguinte, no dia 1º de maio, na cidade de Bordeaux, os serradores destruíram as novas serras mecânicas, dando início a um secular processo de conflitos. Dezoito anos mais tarde, foram fuzilados três mil manifestantes e deportados quatro mil, como forma de tentar barrar o avanço da organização da classe trabalhadora.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, o mesmo tipo de mobilização expressava o descontentamento dos empregados nas indústrias americanas. Um dos momentos mais marcantes aconteceu em Chicago, em 1886, quando a cidade amanheceu paralisada. Era 1º de maio. Dois dias depois, como tentativa da burguesia em barrar as manifestações dos trabalhadores pela redução da jornada de trabalho, a repressão policial foi convocada. A imprensa, o governo e os patrões concentraram as suas críticas sobre os principais líderes, condenados à morte e enforcados no dia 11 de novembro. Os protestos contra aquela injustiça continuaram. A sentença foi anulada, seis anos depois, permitindo a libertação dos presos, porém, tarde demais para os mortos. Não seriam os primeiros nem os últimos a perderem a própria vida na luta da causa operária. Mas, neste caso, o sangue dos cinco marcou para sempre a história da luta da classe trabalhadora, consolidando o dia 1º de maio como um dia de luta por melhores condições de vida, consolidando o 1º de Maio como um marco para a classe trabalhadora. Essa data foi referendada por delegados de vinte países, em Paris, em 1889, durante um Congresso da Internacional Socialista.

No Brasil, a situação não era diferente: reconhecendo a exploração a que eram submetidos os operários organizavam-se, protestavam e reivindicavam a diminuição das horas trabalhadas. Os patrões, respaldados pelo governo, reprimiam ou distorciam o real significado do movimento proposto. Assim, no início do século passado, a história registra casos de perseguições e caso de cooptações durante o 1º de maio. Em alguns momentos, os trabalhadores foram obrigados a comemorar a sua data em recinto fechado, clandestinamente; em outros, iludidos pela proposta patronal que patrocinava a festa, confraternizavam-se aceitando pequenos presentes, anulando o verdadeiro sentido daquele momento.

O jornal da Confederação Operária Brasileira - COB, em 1909, discutia a dubiedade de postura diante do 1º de maio. Em um artigo intitulado "Festa ou Protesto?", a proposta é de que seja um dia de revolta contra a escravidão no trabalho, pois "festejar o trabalho na atual sociedade, seria o mesmo que festejar a nossa escravidão, a miséria que nos avassala".

Procurando desarticular a proposta inicial, da classe operária, de um dia de luta, o presidente da República, Artur Bernardes, em 1924, instituiu o feriado nacional dedicado "à glorificação do trabalho ordeiro e útil".

A polêmica suscitada pela COB, no início do século passado, continua atual. A perda de postos de trabalho, dos direitos trabalhistas e previdenciários, conquistados com séculos de luta, como também a perda do poder aquisitivo e das liberdades democráticas, devem ser não só uma preocupação para todos os trabalhadores, mas um motivo para retomarmos a luta, de forma radical, em todo o país. Por isso, esse 1º de Maio de 2019 está marcado para ser o início de uma grande revolta popular.