Da resistência à luta por uma sociedade socialista

12/03/2018 21:58

O golpe contra a classe trabalhadora

Desde o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) percebemos que estávamos diante de um golpe. Hoje, temos claro também que o golpe não é uma atitude isolada do Congresso. É uma ação articulada da FIESP, da grande mídia (comandada pela Rede Globo) e do Poder Judiciário, não só na figura do juiz Sérgio Moro, mas também na figura do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os deputados e senadores da direita golpista aparecem a todo momento envolvidos em corrupção. Essa situação se estende também ao Executivo, onde Temer e seus Ministros são alvo de denúncias e até mesmo de processos judiciais. Dessa situação não escapa nem mesmo o juiz Moro, como também ministros do STF, que arquivam processos e denúncias contra os golpistas enquanto aceleram processos contra petistas, principalmente contra Lula, condenando-o nas duas instâncias mesmo sem qualquer prova contra ele.

Esse golpe tem objetivos claros e específicos que podemos ordenar: tirar o PT do governo; atacar e condenar Lula e as principais lideranças do partido; destruir completamente o PT, partido construído pela classe trabalhadora e que ainda nos dias atuais é a principal referência para a mesma; aplicar a política de austeridades (neoliberal) atacando os direitos trabalhistas e previdenciários; reduzir os gastos do Estado com os serviços públicos; e privatizar as riquezas e empresas públicas em um processo entreguista acelerado.

Portanto, podemos concluir que esse é um golpe contra toda a classe trabalhadora, que além de atacar direitos ataca também suas organizações como o PT, a CUT e os sindicatos. Esse ataque também é contra as liberdades democráticas incrustadas principalmente na Constituição Federal, que até então nos garantia o direito de associação e de reunião em locais públicos e de constituir sindicatos. Além de vermos a intervenção policial em assembleias de estudantes em universidades e até mesmo em sindicatos, vemos também a condenação de Lula, sem provas, como perseguição política para impedir sua candidatura nas próximas eleições.

Contra a intervenção militar no RJ

O mais recente ataque se dá com a intervenção militar no Rio de Janeiro, decretada pelo presidente golpista Michel Temer. A segurança pública do estado do Rio está sob o comando do interventor general Braga Netto, que fez a seguinte afirmação assim que assumiu o cargo: “O Rio é um laboratório para o Brasil” (G1 Rio, 27/02/2018, 21h54min). Portanto, o próprio processo eleitoral de 2018 corre o risco de não acontecer. Uma nova intervenção militar no país pode ser a continuidade do golpe. Mas, assistimos uma certa passividade da esquerda em relação à intervenção militar no Rio. Parece que estão acreditando que isso é apenas algo pontual e que não corremos o perigo de uma intervenção militar no país.

Nessa situação, a esquerda brasileira não pode titubear. A frente única construída para combater os ataques do governo golpista contra os direitos trabalhistas e previdenciários tem que continuar para os próximos enfrentamentos, principalmente em defesa das liberdades democráticas. Partidos como o PSOL e PCB, declararam em nota que entendem que Lula foi condenado sem provas e que deve ter o direito de se candidatar, mantendo contudo sua independência política. Já o PSTU, desde os momentos iniciais do golpe, não o reconhece como tal e fez frente única com a direita golpista utilizando a palavra de ordem “Fora Dilma, fora todos”. Em seus materiais deixa claro a continuidade da frente única com os golpistas exigindo a prisão dos condenados por corrupção, defendendo portanto a prisão de Lula.

Outro problema é a posição de setores do PT, que mantém e defendem a aliança com os golpistas, como em Minas Gerais, em que o governador Pimentel (PT) não rompe com o PMDB e faz um governo que não cumpre acordos feitos com os sindicatos dos servidores públicos e tenta dar continuidade à política de privatização de Aécio Neves. No Ceará, o governador Camilo Santana (PT) foi ao presidente Temer solicitar a intervenção militar para o estado do Ceará, seguindo o exemplo do Rio de Janeiro.

A esquerda precisa mostrar firmeza nesse momento, principalmente o PT, rompendo com os partidos da direita golpista e organizando manifestações em defesa das liberdades democráticas, contra a intervenção militar e pelo direito de Lula se candidatar.

Eleições 2018

Nessa conjuntura desfavorável, temos que fortalecer a tática da frente única para enfrentar o governo golpista. No processo eleitoral, mesmo com a dificuldade de unidade dos partidos de esquerda, está exposto que nosso inimigo é a direita golpista que avança com os interesses da burguesia e do imperialismo. Mas, também não podemos deixar de lembrar que não dá mais para fazer alianças com esses partidos de direita. Vimos o resultado da política de conciliação de classes levada a cabo pelo PT. Temos que pôr fim à velha cantilena de que “sem alianças não se consegue vencer”.

Reconhecemos que essa política de alianças com a direita garantiu que o país saísse do mapa da fome da ONU. Mas, essas mesmas alianças espúrias levaram o PT ao fosso da corrupção fazendo com que sua idoneidade fosse questionada e, o que é pior, enquanto no governo chegou a ser uma ferramenta de ataque a direitos dos trabalhadores em diversas situações. Outro problema é que a luta pela candidatura de Lula está muito concentrada no Judiciário, como se ele tivesse alguma esperança de ser absolvido pela Justiça golpista.

Caso tenhamos eleições neste ano, temos que ter claro que vai ser mais um momento de embate contra os golpistas e fascistas, nas urnas e principalmente nas ruas. Os partidos de esquerda precisam se organizar para esses enfrentamentos. A classe trabalhadora tem que estar preparada para isso, caso contrário poderá sofrer uma dura derrota nos enfrentamentos com os fascistas.

O PT acertou em lançar a candidatura de Lula, afirmando que “não tem plano B”. Mesmo não tendo acordo com a política do PT, a candidatura de Lula é uma candidatura de resistência ao golpe. Portanto, isso significa que não haverá um segundo nome do PT e que haverá enfrentamento, pois sabemos que as chances de Lula ser preso são grandes. No caso de haver eleições em 2018, sem a participação de Lula, será uma fraude para legitimar o golpe perante a sociedade e para dar satisfação à comunidade internacional.

Por uma sociedade socialista

Nós, militantes da Liga Socialista, sabemos da importância da unidade da esquerda nesse momento crucial. Com o golpe a falsa democracia ou democracia burguesa mostrou sua verdadeira face, trata-se de uma ditadura do capital, que através de sua enorme base no Congresso impõe ao povo o ataque aos direitos e conquistas conseguidos com décadas de luta da classe trabalhadora.

As instituições burguesas estão falidas. Não temos a obrigação de resgatar o estado burguês, ao contrário, temos que acabar de destruí-lo e sobre seus escombros construir um novo estado, um estado socialista.

Para levarmos a luta por uma sociedade socialista à frente, temos que ter uma candidatura de esquerda independente de partidos burgueses, empresários e banqueiros. Essa candidatura tem que se apoiar nos movimentos sociais e sindical, criando um verdadeiro exército de trabalhadores que deverão ser organizados em conselhos de bairros, de categorias etc. Assim, podemos chegar a um governo da classe trabalhadora do campo e da cidade, para reestatizar tudo o que foi privatizado; revogar a reforma trabalhista e todos os ataques desferidos pelo governo golpista; transformar a Petrobras em uma empresa 100% estatal bem como a retomada poços de petróleo e do pré-sal que foram entregues ao capital internacional; aumentar o valor real do salário mínimo aumentando seu poder de compra; expropriar as fábricas que fizerem demissão em massa, boicotarem a economia interrompendo a produção  ou que sejam de setores fundamentais para a economia do país; fortalecer a Previdência Pública e Solidária; estatizar a mídia, sem indenização e sob o controle dos trabalhadores; fazer a Reforma Agrária, expropriando o latifúndio e o agronegócio; fazer a Reforma Tributária taxando as grandes fortunas e heranças; a Reforma do Poder Judiciário; e a Reforma Política.

Quem somos

A Liga Socialista é uma organização, que está construindo a seção brasileira da Liga pela 5ª Internacional. Nosso objetivo é construir o partido mundial da revolução socialista e juntamente com a classe operária organizar a luta em todo o mundo para combater e acabar com o capitalismo. Nosso programa é baseado nas obras de Marx, Engels, Lenin e Trotsky, nos documentos dos quatro primeiros congressos da Terceira Internacional e no Programa de Transição da Quarta Internacional publicado em 1938.

 

  • Em defesa dos direitos e conquistas!
  • Em defesa das liberdades democráticas!
  • Eleição sem Lula é fraude!
  • Não à intervenção militar!
  • Fora Temer golpista!
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