Mulheres levam o povo às ruas contra Bolsonaro

30/09/2018 19:18

Resposta ao fascismo

Em resposta à política retrógrada e fascista de Bolsonaro e Mourão, que dissemina o preconceito e ódio na sociedade, as mulheres organizaram um ato de frente única contra Bolsonaro e tudo de ruim que ele representa. Esse ato, no dia 29/09, ficou conhecido internacionalmente como #Elenão.

Ousamos afirmar que foi o maior ato realizado no país nos últimos anos. Foi uma manifestação gigantesca que atingiu todo o país, de norte a sul e de leste a oeste, empurrando os fascistas para os bueiros onde sempre se esconderam. Foram milhões de mulheres, homens, brancos, negros, LGBTs, jovens etc que ocuparam as ruas e praças para dizerem NÃO a essa política de ódio, disseminada por Bolsonaro e seus comparsas. Trata-se sem dúvida de uma grande vitória do movimento feminista da classe trabalhadora, que trabalhou sem sectarismo, possibilitando essa imensa manifestação popular.

As mulheres mostraram para o Brasil e o mundo como se aplica a tática da frente única. O movimento começou com a convocação das mulheres para o ato contra Bolsonaro, que foi divulgado por toda a mídia alternativa. Importante destacar que desde o início as mulheres tomaram a dianteira do movimento e organizaram tudo, palcos, trajetos das manifestações, som, participação de artistas etc. Partidos, organizações de esquerda e sindicatos se juntaram ao ato e atuaram de forma conjunta contra o espectro do fascismo que ameaça o país. Foi maravilhoso presenciar milhares de pessoas em êxtase, ocupando as ruas de todo o país contra Bolsonaro e seu discurso fascista.

O começo da luta

Não podemos esquecer que essa luta começou há alguns anos, quando se abriu no Congresso o processo de impeachment contra a presidente Dilma(PT) e o povo saiu às ruas gritando “não vai ter golpe”. A partir daquele momento, foi se criando um movimento de resistência ao golpe no país, que teve destaque na ocupação de escolas pelos estudantes secundaristas e universitários, nos movimentos do MTST e MST e que teve seu auge na luta contra as reformas trabalhista e da previdência.

Esses movimentos continuaram com a condenação e prisão do ex-presidente Lula. Uma condenação sem provas, que deixa claro para o mundo que Lula é um preso político. Esse fato também contribui muito para a revolta e mobilização popular.

Sem esses movimentos, certamente hoje estaríamos reféns de uma candidatura retrógrada e do discurso e prática do ódio e preconceito espalhados pelo país. Mas, ao contrário, apesar de não termos conseguido barrar o golpe e nem impedir a reforma trabalhista ou a PEC da morte, fizemos um movimento para barrar Bolsonaro que, para nós trabalhadores, já está completamente derrotado.

Mesmo que haja fraude nas urnas e Bolsonaro seja “eleito” presidente, será uma vitória de Pirro, pois não terá o controle sobre as massas. Será um governo até mesmo mais frágil que o atual governo golpista e diante do mínimo desagrado ao capital será sacado imediatamente como aconteceu com Collor de Melo.

A luta continua

Esse movimento não pode parar! Temos que levar todo esse ânimo e a certeza da vitória para as urnas e sabermos que podemos ter duas situações: A primeira, caso haja uma fraude nas urnas e Bolsonaro seja “eleito”, temos que estar devidamente organizados e mobilizados enquanto classe trabalhadora, com nossas bandeiras de luta e pauta de reivindicações para enfrentar os ataques do governo fraudulento e suas gangues de fascistas que tentarão nos expulsar das ruas. Para isso, somente grandes mobilizações como essa convocada pelas mulheres nos levarão à vitória. E a segunda situação, caso Haddad(PT) vença, temos que continuar com grandes mobilizações para impedir uma possível intervenção militar, garantir a posse, sustentar o governo legítimo e exigir que seja um governo para os trabalhadores e não mais um governo de conciliação de classes e que rompa as alianças com os partidos golpistas.

Assim caminharemos para uma grande vitória, que se consolidará com a revogação da reforma trabalhista, das privatizações, da EC 95 (que congela a verba para os serviços públicos por 20 anos), da reforma do ensino médio, por uma Petrobras 100% estatal e pela retomada dos poços do Pré-Sal, pela reforma agrária e urbana, pela expropriação dos bancos, pela retomada das obras abandonadas, pelo fortalecimento da Previdência pública e solidária, pelo fortalecimento da Saúde e Educação pública, expropriação de todas as empresas estratégicas, expropriação dos meios de comunicação, proibição do uso de agrotóxicos e sementes transgênicas, fim da política da guerra às drogas que é responsável pelo genocídio da juventude negra e pobre, delimitação das terras indígenas com a participação de suas lideranças para colocar um fim no genocídio dos povos indígenas, enfim, pela soberania do povo brasileiro.