No Equador trabalhadores e indígenas se unificam na luta contra o governo Lenín Moreno

10/10/2019 17:59

Uma grande mobilização indígena no Equador mergulhou o país em um clima de tensão política e social. O presidente Lenín Moreno anunciou em rede nacional a transferência da sede do Governo de Quito para Guayaquil, diante da iminente chegada à capital de milhares de indígenas que avançam pelas principais estradas da serra andina. Moreno acusa o ex-presidente Rafael Correa e a seus aliados de agitarem as massas.


Há seis dias começaram os primeiros protestos no Equador. Mais de 500 pessoas foram detidas em meio às manifestações e 50 policiais chegaram a ser feitos reféns. Os protestos foram originalmente liderados por sindicatos ligados ao setor de transporte, afirmando que o fim dos subsídios a combustíveis está levando a um aumento no preço de itens básicos de consumo.


Os primeiros manifestantes indígenas começaram a chegar na capital, depois de bloqueios de rodovias e violentos confrontos entre policiais, militares e integrantes da marcha. O tráfego nas pontes que dão acesso a Guayaquil foi interrompido temporariamente por ordem do governo e o Ministério da Educação anunciou a suspensão das aulas mais uma vez.


Os líderes indígenas tinham anunciado que mais de 20.000 manifestantes chegariam a Quito nos próximos dias para pressionar e forçar o presidente Moreno a revogar as medidas econômicas que provocaram uma alta nos preços dos combustíveis. "Neste momento, nossos povos e nacionalidades estão se mobilizando, avançando para a cidade da Quito a fim de exigir e rechaçar estas medidas que assaltam os bolsos de todos os equatorianos", afirmou o presidente da Confederação de Indígenas, Jaime Vargas, enquanto milhares de pessoa enchiam as estradas do norte do país.


No mesmo evento, o presidente da Frente Unitária de Trabalhadores, Nelson Erazo, criticou as declarações de domingo do ministro da Defesa, Oswaldo Jarrín, em que advertia aos manifestantes a não desafiarem nem provocarem as forças armadas. Segundo Erazo, essas declarações soaram como uma declaração de guerra ao povo e afirmou ainda que a mobilização não parará enquanto o Governo não recuar. Uma greve nacional foi convocada para esta quarta-feira (09/10).


Segundo dados do governo, a retirada do subsídio estatal às gasolinas permitirá ao Estado economizar 1,4 bilhão de dólares. Os transportadores foram os protagonistas dos protestos ao convocarem uma paralisação nacional que derivou em fortes confrontos entre cidadãos e forças de segurança levando o governo a reagir declarando estado de exceção. Restringiu-se o direito de reunião, mobilizaram-se os militares nas principais cidades e estradas.


Depois da suspensão da greve geral dos transportes, as organizações sociais e a Confederação de Indígenas assumiram a convocação e elevaram o tom. O Executivo usou veículos antimotins, policiais a cavalo e gás lacrimogêneo para responder às gigantescas concentrações de manifestantes munidos com paus e pedras.


Quem é Lenín Moreno?


Lenín Moreno, vice do ex-presidente Rafael Correa, venceu as eleições equatorianas de 2017 com a proposta de dar continuidade à política implementada por Correa. Ao contrário dos outros países da América latina em que o imperialismo estadunidense foi apertando o cerco e impondo sua força, com golpes parlamentares/jurídicos, como no Brasil, Paraguai, Nicarágua e Venezuela, onde levou o país a imensa crise política e econômica; no Equador, tudo levava a crer que haveria uma continuidade na política progressista de Rafael Correa.


Após assumir o governo, Moreno mostra sua verdadeira face. A virada conservadora do traidor Lenin Moreno se tornou evidente desde o início de seu mandato com perseguição política a membros da mesma aliança que honestamente o fez presidente. As medidas tomadas por esse novo governo vão mostrando que está na direção contrária ao governo anterior. Fazendo uma apologia ao "combate à corrupção" iniciou uma campanha de caça às bruxas. O próprio Rafael Correa foi alvo de acusações da Controladoria Geral do Estado que apontariam irregularidades na gestão da dívida pública e negociação de contratos petroleiros com empresas chinesas durante seu governo.


A traição continua com novas alianças com os grandes banqueiros equatorianos, acordo com o FMI, fim do asilo político para Julian Assange (fundador do WikiLeaks) e campanhas constantes da mídia para criminalizar movimentos sociais e a militância de esquerda.


Um governo contra o povo


Em menos de três anos, o governo Moreno endividou o Equador em mais de 20 bilhões de dólares e isentou impostos dos empresários que somam 4.295 milhões de dólares. Enquanto isso os banqueiros obtiveram lucros de mais de 500 bilhões.


Com a implementação do "pacote" neoliberal e antipopular, consequência do acordo com o FMI, o governo jogou sobre o povo equatoriano a conta dessa crise. Com isso, veio também o fim do subsídio de combustível, provocando diretamente o aumento do mesmo e indiretamente o aumento dos alimentos e produtos básicos consumidos pela população.  


A partir daí começaram as manifestações da população cansada dos ataques do governo Moreno. Começou com a greve dos transportadores e a eles se juntaram outras forças dos movimentos sociais, unificando estudantes, indígenas e camponeses que, apesar de suas diferenças, se uniram para lutar contra o governo do traidor Moreno e suas políticas de ajuste.


Esse governo contrário aos interesses do povo e sustentado pela repressão e pelas forças do imperialismo deve ser derrubado pelo povo equatoriano unificado na luta. O povo deve continuar nas ruas, lutando contra o traidor Moreno, marionete do imperialismo, enquanto a Confederação de Indígenas e a Federação de Trabalhadores devem transformar o movimento em uma greve geral revolucionária. Seu objetivo deve ser substituir Moreno por um governo de trabalhadores, camponeses pobres e povos indígenas e supervisionar as eleições para uma assembleia constituinte soberana onde os trabalhadores possam adotar soluções anticapiatalistas e anti-imperialistas para os problemas do país. Este seria um grande passo no sentido de reverter a maré reacionária que varre o continente.



Liga Socialista - Seção brasileira da Liga pela 5ª Internacional