Outro massacre israelense em Gaza

02/04/2018 11:33

Secretariado Internacional da Liga pela Quinta Internacional, 23.10.2017 dom, 01/04/2018 - 08:39

 

 

As forças armadas israelenses, atirando indiscriminadamente contra manifestantes palestinos desarmados, homens, mulheres e crianças, mataram pelo menos 16 e feriram bem mais de cem. Como é habitual em tais casos, os representantes dos EUA e da Grã-Bretanha no Conselho de Segurança da ONU bloquearam qualquer condenação a Israel, ou mesmo qualquer chamada para parar o massacre. O massacre acontece um dia depois que uma bomba de um tanque israelense matou um agricultor palestino, cuidando de sua colheita de salsa.

A brutal repressão do estado sionista, ocupando as terras de onde eles dirigiram seus habitantes indígenas em 1948 e 1967 e em incontáveis ​​expulsões menores desde então, tem como objetivo interromper uma manifestação planejada chamada The Great Return March, ao longo da chamada barreira de segurança que isola os habitantes da Faixa de Gaza de suas terras roubadas.

9 de abril é também o 70º aniversário do Massacre de Deir Yassin em que entre 100-250 habitantes, os números são disputados, foram mortos pelas milícias sionistas Irgun e LEHI. Menachem Begin, na época o comandante do Irgun, que se tornou o primeiro-ministro de Israel e ganhador do Prêmio Nobel da Paz (!), Gabou-se: "O massacre de Deir Yassin não foi apenas justificado, sem a vitória de Deir Yassin nunca teria havido um estado de Israel.  ”(A Revolta, História do Irgun (Nova York: Henry Schuman, 1951).

Gaza está sob um bloqueio israelense-egípcio há onze anos, além de ter sido submetida a bombardeios aéreos devastadores, mais recentemente em 2014. Entre 8 de julho e 27 de agosto daquele ano, mais de 2.100 palestinos foram mortos na invasão e ocupação parcial da Faixa de Gaza, junto com 66 soldados israelenses e sete civis em Israel.

O atual protesto, que começou no Dia da Terra em 29 de março e está previsto para acontecer até o dia de Nakhba, visa destacar as ações de um Estado que mantém 5 milhões de palestinos em situação de refugiados e exilados de sua terra natal. Em poucas semanas, Israel celebrará 70 anos de sua existência, sem dúvida com os cálidos parabéns das potências imperialistas que tornaram isso possível, a Grã-Bretanha, os Estados Unidos, a França e seus aliados.

As máquinas de propaganda do governo israelense e suas embaixadas em todo o mundo estão agora produzindo propaganda alegando que os "árabes" trouxeram isso para si mesmos jogando pedras ou a estranha bomba de gasolina. A mídia ocidental vai apoiar isso, assim como as forças de direita nos movimentos trabalhistas ocidentais. Tais forças já estão envolvidas em um ataque preventivo contra Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista Britânico, que até agora defendeu os palestinos e condenou as atrocidades de Israel.

Existem outros planos em andamento. Trump e May, com a ajuda do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, ele mesmo envolvido em uma guerra genocida no Iêmen, veem Israel como um aliado-chave contra o Irã, que não é uma força progressista como mostram seus crimes na Síria. O reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel por Trump é uma primeira parcela de permitir que Israel faça outro movimento no sentido de apreender ainda mais terras palestinas ao redor de Jerusalém. Qualquer grande guerra na região, desencadeada, por exemplo, por um ataque à indústria nuclear do Irã, será sem dúvida usada como cobertura para expulsar mais palestinos e tomar mais terras.

O Estado de Israel é uma força militar esmagadoramente poderosa, não apenas com armas nucleares, mas também com o apoio incondicional dos Estados Unidos e da maioria dos países europeus, quando toma ações como as de Gaza contra manifestantes civis desarmados, corroendo a simpatia que tem desfrutado de cidadãos comuns em todo o mundo. Eles consideram essas ações com aversão. A tentativa de se esconder atrás do Holocausto é cada vez mais reconhecida não apenas como uma obscenidade contra seus seis milhões de vítimas, mas também como uma ameaça à luta ainda necessária contra o antissemitismo real e vil.

A razão pela qual as potências ocidentais sempre apoiam Israel não é por causa de uma profunda simpatia pelo sionismo ou por seu próprio povo judeu, muito menos por sua culpa (justificada) em ter fechado suas fronteiras para a maioria dos judeus europeus que se tornaram vítimas do Holocausto. É porque Israel sempre agiu como um poderoso obstáculo à unidade dos países do Oriente Médio contra as potências ocidentais que saquearam seus recursos petrolíferos por mais de um século.

Por todas essas razões, é vital que socialistas e sindicalistas do Ocidente apoiem ​​os palestinos, condenem os massacres israelenses e apoiem ​​a exigência dos palestinos por seu direito de retorno.

 

 

Traduzido por Liga Socialista em 02/04/2018