Solidariedade com os companheiros brasileiros!

06/12/2018 14:09

Contra qualquer apoio ao governo Bolsonaro de extrema direita por empresas alemãs!

Em 28 de outubro, o candidato extremista de direita e ex-militar Jair Bolsonaro foi eleito para o cargo de presidente do Brasil no segundo turno das eleições, cujo mandato começará no início de janeiro de 2019. A eleição em si foi ofuscada pela exclusão do até então candidato, líder nas pesquisas, Lula da Silva, ex-presidente e líder histórico da CUT, cujos membros contribuíram significativamente para o fim da ditadura militar.

A dura repressão à "política de esquerda" e ao Partido dos Trabalhadores (PT) na mídia dominante e os atos de violência contra "esquerdistas" e outros "suspeitos", que culminaram em mais de 50 assassinatos de esquerda, indígenas e homossexuais, geraram temores.

Jair Bolsonaro representa as posições mais reacionárias em todas as áreas - economia, direitos sociais, igualdade de gênero, homossexualidade, proteção às florestas tropicais. Além disso, defendeu abertamente a ditadura militar no Brasil, que cobriu o país de 1964 a 1985 com terror e mais de mil assassinatos. Ele lamentou que o exército tenha "limpado" 30.000 pessoas, considerando muito pouco.

Especificamente, as seguintes medidas são esperadas:

- As leis "antiterroristas" se destinarão a proibir certos movimentos sociais, especialmente os trabalhadores sem-terra ou moradores das favelas (MST, MTST). Essas proibições certamente serão estendidas a organizações de esquerda e sindicatos.

- Direitos especiais para certas unidades policiais permitindo a tortura e execuções arbitrárias.

- Expansão das "reformas" neoliberais na previdência e na lei trabalhista, bem como a privatização da estatal Petrobras.

- Remoção de requisitos ambientais essenciais através da dissolução do Ministério do Meio Ambiente e transferência de suas tarefas para o Ministério da Agricultura controlado pelo Agronegócio.

- Transformar currículos através de uma "revolução educacional" sob o controle das igrejas evangélicas. Entre outras coisas, a pesquisa sobre gênero deve ser abolida.

- Atacar os direitos das mulheres e das pessoas LGBT, reforçando os papéis reacionários de gênero - incluindo a banalização da violência sexista, que já está matando milhares de mulheres e pessoas sexualmente oprimidas a cada ano.

- A imprensa crítica, como o jornal liberal mais famoso do país, a "Folha de São Paulo" estão ameaçados de boicote e exclusão das coletivas de imprensa, por ousar denunciar práticas ilegais de arrecadação de fundos da campanha eleitoral de Bolsonaro.

Em vista dessas ameaças maciças à democracia, direitos humanos e direitos sindicais, é particularmente ultrajante que os principais representantes de empresas alemãs no Brasil tenham declarado seu total apoio a essa política extremista de direita. Por um lado, os investimentos alemães desempenham um papel significativo no Brasil. Mais de 12.000 empresas alemãs são responsáveis ​​por até 10% do PIB. Por outro lado, os emaranhados das empresas alemãs acabaram de ser descobertos em ações terríveis da antiga ditadura militar. O grupo VW teve de financiar a pedido da "comissão da verdade" brasileira um estudo científico no qual ficou clara a evidência de que os gerentes da VW estavam envolvidos na denúncia e extradição de sindicalistas descontentes que desapareceram ou perderam suas vidas. (https://www.volkswagenag.com/presence/konzern/documents/Historische_Studie_Christopher_Kopper_VW_B_DoBrasil_14_12_2017_DEUTSCH.pdf).

O mais escandaloso é que um membro do conselho do Grupo VW, o chefe da divisão de veículos comerciais Andreas Renschler expressou uma atitude positiva para a perspectiva da chegada de Bolsonaro ao poder (Der Spiegel, 2.11.2018, „Stramm nach rechts“). O presidente da Câmara de Comércio Exterior germano-brasileira, Wolfram Anders, já havia apoiado Bolsonaro durante a campanha eleitoral para impedir as "relações venezuelanas" (ibid.). Quando Bolsonaro lançou seu discurso de ódio contra seus adversários políticos em frente à influente associação comercial de São Paulo, ele foi ovacionado de pé - uma parcela significativa dos representantes foi enviada por empresas alemãs. Roberto Cortes, presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus no Brasil e Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz no Brasil, elogiaram publicamente Bolsonaro (Neue Züricher Zeitung, 14.11. „Keine Angst bei Unternehmen“). Não só da indústria veio o apoio ao curso de extrema-direita de Bolsonaro. O "Deutsche Bank" e na sua esteira o "Commerzbank" tinha sublinhado em seus tweets para eleição e que Bolsonaro era o "candidato preferido dos mercados" (Frankfurter Rundschau, 25.11., https://www.fr.de/kultur/netz-tv-kritik-medien/netz/jair-bolsonaro-deutsche-bank-nennt-bolsonaro-wunschkandidat-der-maerkte-a-1610928).

Tudo isso mostra que as empresas alemãs dão um apoio essencial para um político de extrema direita, do qual se podem esperar medidas que lembram fortemente uma ditadura fascista. Em vez de terem aprendido com seus próprios estudos sobre seu envolvimento na antiga ditadura, voltarão a ser o porta-estandarte de uma ditadura nascente, que por sua vez usará todos os meios para combater os sindicalistas em suas empresas.

Qualquer pessoa que tenha tido contato com colegas sindicalistas brasileiros ou tenha lidado com a situação deve temer que esses companheiros sejam mais uma vez vítimas da arbitrariedade do Estado ou até mesmo sejam assassinados. Por quase trinta anos o Brasil tem sido o cenário e exemplo de um movimento sindical crescente, sem o qual todas as mudanças e progressos democráticos seriam impensáveis. Esta solidariedade deve ser fortalecida agora mesmo!

Exigimos do IG Metall, ver.di e do DGB, um posicionamento imediato e decisivo contra o apoio da VW, Daimler, Deutsche Bank e outras empresas alemãs ou seu porta-voz no Brasil para a extrema-direita Jair Bolsonaro!

Exigimos do IG Metall, ver.di e do DGB apoio efetivo e tangível aos sindicatos brasileiros, especialmente em sua luta contra a reforma previdenciária e a privatização da Petrobras! Protestos e greves de companheiros brasileiros devem ser apoiados por ações de solidariedade apropriadas!

Exigimos do IG Metall, ver.di e do DGB que respondam às esperadas medidas antidemocráticas e desumanas do governo de Bolsonaro com boicotes e sanções! Em particular, a libertação imediata de Lula da Silva, preso ilegalmente, deve se tornar uma meta do movimento sindical internacional! Como sindicalistas da Alemanha, apoiamos a campanha "Lula Livre" e exortamos a DGB a participar desse movimento!

Exigimos do IG Metall, ver.di e do DGB a apoiar e participar dos protestos internacionais contra a posse de Bolsonaro em janeiro!

 

Primeiras adesões:

  1. Matthias Fritz, IG Metall, BR und VKL Mahle Stuttgart
  2. Christa Hourani, IG Metall, Frauenausschüsse IGM und DGB, ehem. BR und VKL Daimler Zentrale
  3. Niels Clasen, IG Metall, ehem. BR und VKL Roto Frank Leinfelden
  4. Sybille Stamm, ver.di,
  5. Mag Wompel, ver.di, Labournet
  6. Laurenz Nurk, ver.di, Mitherausgeber gewerkschaftsforum-do.de
  7. Fritz Stahl, IG Metall, ehem. Vertrauensmann Mercedes Benz Werk Mannheim
  8. Angela Hidding, IG Metall, Delegierte, ehem. Betriebsrätin Mercedes Benz Werk Mannheim
  9. Walter Hofmann, IG Metall, ehem. BR-Vorsitzender und VKL Saurer-Allma, Kempten
  10. Klaus-Peter Löwen, IG Metall, ehem. stv. GBR-Vorsitzender Alcatel-Lucent Deutschland AG
  11. Jakob Schäfer, IG Metall, Mitgl. der Delegiertenversammlung der IGM Wiesbaden-Limburg, ehem. BR
  12. Helmut Born, ver.di Düsseldorf, Mitglied im Landesbezirksvorstand ver.di NRW
  13. Tom Adler, IG Metall, ehem. BR Daimler Untertürkheim und Mitglied Tarifkommission, Stadtrat LINKE Stuttgart
  14. Christiaan Boissevain, IG Metall, ehem. BR, Sekretariat Initiative zur Vernetzung der Gewerkschaftslinken
  15. Helga Schmid, ver.di, Vorstandsmitglied der ver.di-Betriebsgruppe des Süddeutschen Verlags-München
  16. Sascha Ebbinghaus, BR-Vors., Beisitzer Ortsvorstand IGM Waiblingen/Ludwigsburg
  17. Markus Dahms, GBR IBM B&TS, ver.di LBZ Berlin-Brandenburg FB9
  18. Reinhold Riedel, Kreisrat, LINKE Esslingen.
  19. Mehmet Sahin, IG Metall, Mahle-Behr-Stuttgart