Terrorismo de estado

17/08/2020 14:20

Não encontramos outro termo para melhor definir o que aconteceu na semana passada (12 a 14 de agosto) no assentamento Quilombo Campo Grande, no sul do estado de Minas Gerais.

Foram 60 horas de uma terrível luta entre assentados e a polícia militar. A polícia agiu com extrema violência contra 450 famílias de agricultores, incendiando as plantações, derrubando casas e a escola local e com voos rasantes de helicópteros. Os agricultores resistiram bravamente. São famílias que estão assentadas no local a mais de 20 anos e cujas vidas dependem única e exclusivamente daquele local.

Em um período de pandemia, em que o Covid-19 se espalha aceleradamente pelo país, o juiz Roberto Apolinário de Castro, simplesmente concedeu o mandado judicial para que fosse reintegrado 52 hectares do assentamento.

Segundo Esther Hoffmann, da coordenação nacional do MST, o que está acontecendo no assentamento Quilombo Campo Grande é ilegal. “A polícia continua ameaçando avançar para além da decisão judicial, que são os lotes familiares, que não estão contidos dentro do processo dessa liminar de despejo. O que eles querem é despejar ilegalmente as famílias que produzem, moram, tem suas construções e famílias nessa área há mais de 20 anos". Hoffmann segue afirmando, "Nos colocaram em uma situação de risco, fazendo o despejo em meio à pandemia, nos forçaram estar aqui. Com uma aglomeração causada pela PM, colocando as famílias em risco de contaminação”.

De acordo com o MST, a área que o dono da Usina reivindica legalmente não é dele. Apesar disso, o despacho mais recente, de fevereiro desse ano, aumentou a área da reintegração de posse de 26 hectares para 52 hectares.

Para quem viu a ação de despejo através dos vídeos divulgados pela mídia alternativa, fica uma pergunta: foi feita justiça? Cerca de 450 famílias vivendo no local há mais de 20 anos, trabalhando e cultivando a terra, repentinamente se viram acuados por pelotões de choque da PM, fortemente armados, inclusive com carros blindados, como se tivessem em uma verdadeira operação de guerra. Uma operação de guerra contra pobres trabalhadores do campo. Isso é justiça?

Vivemos em uma sociedade de classes, em que a classe dominante possui o controle do estado. Só assim, ela consegue manter a grande maioria do povo sob controle. Vivemos sob o controle do estado burguês, das leis feitas por eles, da justiça exercida por eles e do aparato de repressão (polícias) criado para servi-los.

O que é democracia para eles (latifundiários, empresários e banqueiros), é ditadura para nós trabalhadores.

Estamos todos indignados e essa indignação não pode passar em branco. Temos que continuar nossas lutas e organização para que possamos continuar na luta de enfrentamento ao capital, até que chegue o dia da luta final, quando a classe trabalhadora destruirá o estado burguês e assumirá o poder construindo um novo estado, um estado socialista.

Não aos despejos. Nenhum despejo deve ser realizado contra assentados e ocupantes, tanto no campo quanto nas cidades;

Retirada da polícia militar da área do assentamento Quilombo Campo Grande;

Unidade da classe trabalhadora da cidade e do campo;

Ocupar! Resistir! Produzir!